Cidade de Mirny fica em uma das regiões mais geladas da RússiaReprodução
Publicado 14/04/2026 18:11 | Atualizado 14/04/2026 18:11
Um homem declarado "clinicamente morto" em uma região remota da Sibéria, na Rússia, foi reanimado após ficar inconsciente em temperaturas congelantes e ser declarado morto por mais de cinco horas. Os médicos consideraram o caso extraordinário como prova de como o frio extremo pode ajudar a preservar a vida.
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O homem, não identificado, desmaiou - provavelmente por ingerir uma garrafa de vodca - em um banco de praça na cidade de Mirny, na região da Yakutia, considerada a região habitada mais fria da Terra, sob um frio congelante de -25°C. Ele foi encontrado sem respirar por transeuntes, que prontamente acionaram os serviços de emergência. Ao chegarem, os paramédicos constataram ausência de batimentos cardíacos, pressão arterial e uma linha reta no eletrocardiograma – todos sinais de morte clínica.

Em vez de declará-lo morto, os médicos do hospital iniciaram uma complexa operação de reanimação utilizando uma técnica especializada de reaquecimento adaptada às condições do Ártico.

Ele foi levado às pressas para o hospital, onde o anestesista Dmitry Bosikov supervisionou um meticuloso procedimento de quatro horas para elevar sua temperatura corporal.

"O método de reaquecimento baseia-se no descongelamento gradual, que não causa danos aos menores vasos sanguíneos, já que danos à rede microvascular podem resultar em ataques cardíacos, edema cerebral, insuficiência renal e morte. Ao longo de 4 horas, a temperatura corporal do homem foi elevada. Este foi um esforço coordenado, meticuloso e tecnicamente impecável.", afirmou um comunicado do hospital.

"Assim que a temperatura atingiu 34°C, iniciou-se a ressuscitação cardiopulmonar avançada: compressões torácicas, ventilação mecânica e administração de medicamentos para estimular a circulação. Após 25 minutos de reanimação, um fraco sinal de vida apareceu no monitor - fibrilação ventricular", completa o comunicado

No total, a equipe médica levou cinco horas e 34 minutos para relatar que o paciente havia retornado à vida. Os temores iniciais de danos catastróficos aos órgãos foram rapidamente dissipados quando, após 24 horas em coma induzido, o paciente acordou. Sem sequelas.

Seus rins estavam funcionando normalmente e nenhum sistema vital havia sido comprometido. Incrivelmente, ele saiu do hospital caminhando apenas cinco dias depois.

Especialistas médicos afirmam que este caso destaca um fato pouco conhecido: pacientes que sofrem de hipotermia extrema podem, por vezes, ser reanimados muito tempo depois de aparentemente terem falecido.

O frio extremo pode diminuir as necessidades de oxigênio do corpo, protegendo eficazmente o cérebro e os órgãos vitais – mas apenas se os pacientes forem tratados com cuidado e aquecidos gradualmente.

O hospital atribuiu a sobrevivência do homem aos esforços coordenados dos socorristas e ao seu procedimento especializado de reaquecimento.
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