Trump chamou urânio enriquecido de 'pó' para armas nuclearesAFP
Publicado 16/04/2026 20:10
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Irã aceitou entregar suas reservas de urânio enriquecido e que ambas as partes estão "perto" de alcançar um acordo de paz que ponha fim a seis semanas de conflito no Oriente Médio.
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Esse avanço coincide com os esforços de mediação do Paquistão entre Irã e Estados Unidos para alcançar um segundo ciclo de diálogos, após as conversas do fim de semana passado em Islamabad, que terminaram sem acordo.
Trump declarou a repórteres na Casa Branca que o Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido.
"Eles aceitaram nos devolver o 'pó' nuclear", disse Trump em alusão ao urânio enriquecido que, segundo Washington, poderia ser usado para fabricar armas nucleares.
"Há muitas chances de chegarmos a um acordo" com Teerã, acrescentou o presidente dos Estados Unidos.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, expressou que está "cautelosamente otimista" em relação às negociações com os Estados Unidos.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
Com a mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã acordaram uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril e expira na próxima semana.
O influente chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, está no Irã e se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do país, que perdeu vários dirigentes na guerra, começando pelo líder supremo Ali Khamenei, no primeiro dia do conflito.
'Uma encruzilhada histórica'
Paralelamente à diplomacia, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, havia ameaçado o Irã com bombardeios caso "tome uma má decisão" e prometeu manter bloqueados os portos iranianos "pelo tempo que for necessário".
O Irã sustenta que seu programa atômico tem fins civis e, na quarta-feira, a chancelaria reiterou que ninguém pode "tirar" do país seu direito de usar a energia nuclear de forma pacífica, mas destacou que o nível de enriquecimento de urânio é "negociável".
Israel também aumentou a pressão e o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que, se o Irã rejeitar uma proposta de Washington para renunciar ao "armamento nuclear", seu país lançará ataques "ainda mais dolorosos".
"O Irã está em uma encruzilhada histórica: um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta americana; o outro leva a um abismo", afirmou o ministro durante uma cerimônia.
"Se o regime iraniano escolher a segunda opção", descobrirá muito rapidamente que Israel pode bombardear alvos "ainda mais dolorosos", acrescentou.
Pressão sobre o petróleo
Por enquanto, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de hidrocarbonetos, e Washington impôs desde segunda-feira um bloqueio a navios que vêm de ou se dirigem a portos iranianos.
Além disso, o Irã ameaçou também bloquear o mar Vermelho, mas insistiu em sua disposição para negociar.
A disputa pelo tráfego marítimo nessa região, onde se concentram os grandes exportadores de petróleo do Golfo, mantém elevados os preços do petróleo, e o barril de Brent do mar do Norte subia por volta das 21h00 GMT (18h00 de Brasília) 3,24%, para 98,01 dólares, nesta quinta-feira.
De qualquer forma, por enquanto não foi fixada "nenhuma data" para uma segunda rodada de negociações, disse à imprensa o porta-voz da chancelaria paquistanesa.
Início de trégua entre Israel e Líbano
Em outra frente do conflito, entrou em vigor o cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Líbano às 21h00 GMT (18h00 de Brasília0 desta quinta-feira, após um mês e meio de conflito entre Israel e o movimento libanês pró-Irã Hezbollah.
No entanto, nos bairros do sul de Beirute foram ouvidos disparos na madrugada de sexta-feira, poucos minutos depois de a trégua entrar em vigor, segundo relatos da imprensa estatal e de jornalistas da AFP.
Pouco antes da entrada em vigor da trégua, o Exército israelense afirmou ter atacado lançadores de foguetes do Hezbollah após disparos provenientes do Líbano.
Trump disse que convidou à Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, e afirmou que o encontro ocorrerá nos próximos "quatro ou cinco dias".
Por sua vez, o deputado do Hezbollah Ibrahim al Musawi declarou à AFP que seu grupo respeitará o cessar-fogo se Israel deixar de atacar o movimento xiita, aliado do Irã.
"Nós, no Hezbollah, aderiremos cautelosamente ao cessar-fogo, desde que haja uma interrupção total das hostilidades contra nós", disse o parlamentar.
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