Lula e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchéz, estiveram juntos no evento Global Progressive Mobilisation, em BrarcelonaRicardo Stuckert/PR
Publicado 18/04/2026 15:19
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, por ter fechado o espaço aéreo do país para aviões dos Estados Unidos envolvidos em ataques contra o Irã. Lula discursou neste sábado, 18, no evento de esquerda Global Progressive Mobilisation (GPM) em Barcelona, na Espanha.
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"Meu elogio, meu querido Pedro Sánchez, é pelo fato de você ter tido a coragem de não permitir que os aviões de guerra dos Estados Unidos saíssem daqui para atirar no Irã", disse o presidente brasileiro, durante uma seção do evento destinada a discursos de líderes de esquerda.
O petista foi recebido pela plateia com aplausos e sob cantos de "olê, olê, olá, Lula, Lula", evocando o jingle que usou na sua primeira campanha presidencial, em 1989. O presidente brasileiro foi citado em discursos de outros líderes, como o governador de Minnesota, Tim Waltz, que concorreu à vice-presidência americana na chapa de Kamala Harris, derrotada por Donald Trump.
No seu discurso, Lula disse que o evento visa "mostrar ao mundo que a democracia não morreu." O petista afirmou que os progressistas não devem ter vergonha de se posicionar e defendeu que, em um mundo democrático, ninguém deve ter medo de falar suas opiniões, desde que as regras do jogo sejam respeitadas.
'América Latina é vendida como mundo do narcotráfico, Oriente Médio como terrorista'
O presidente Lula reclamou de rótulos pejorativos impostos à América Latina como terra do narcotráfico e do Oriente Médio como lugar de terroristas. Ele disse que são de mentiras propagadas contra as duas regiões.
O mandatário discursou logo antes do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Foi aplaudido várias vezes pelos presentes, em alguns momentos com os participantes de pé durante os aplausos.
Lula criticou os Estados Unidos por atacar o Irã. Disse que não quer uma nova guerra fria entre a China e os Estados Unidos, mas sim "liberdade" e "livre comércio". Afirmou que os americanos e os europeus rejeitaram um acordo feito por Brasil e Turquia com o Irã na primeira década do século e agora voltaram a acusar os iranianos de produzirem armas nucleares.
"Estão atrás outra vez de construir a ideia de que o Irã iria construir uma bomba atômica. Não iriam construir uma bomba atômica. Nós precisamos acabar com essa história de contar mentiras sobre as pessoas para depois destruir as pessoas. A América Latina é vendida como se fosse o mundo do narcotráfico. O mundo árabe é vendido como se fosse o mundo do terrorismo. E quem é bom nesse mundo?", questionou, ironicamente.
Lula fez um apelo enfático aos líderes dos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Seguindo o discurso que tem tido nos últimos meses, pediu que esses países convoquem uma reunião para discutir os vários conflitos mundo afora.
"Quero dizer ao presidente Trump, ao presidente Xi Jinping da China, ao presidente Putin Vladimir Putin, da Rússia, ao presidente Macron Emmanuel Macron, da França e ao primeiro-ministro da Inglaterra Keir Starmer, que são os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU, pelo amor de Deus, cumpram com suas obrigações de garantir a paz no mundo. Convoquem uma reunião e parem com essa loucura de guerra, porque o mundo não comporta mais", disse.
O petista foi recebido pela plateia com aplausos e sob cantos de "olê, olê, olá, Lula, Lula", evocando o jingle que usou na sua primeira campanha presidencial, em 1989. Fez boa parte do discurso de improviso, somente com parte dele lido. Esse trecho em que fez o apelo pelo fim das guerras e o que ele reclama dos rótulos à América Latina e ao Oriente Médio foram de improviso.
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