Plano de Lula prevê aporte de 960 milhões para asfixiar movimentações financeiras de quadrilhasRicardo Stuckert / PR
Publicado 07/05/2026 18:48 | Atualizado 08/05/2026 07:57
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (7), após encontro de três horas com o norte-americano Donald Trump que ambos não discutiram a intenção dos EUA de que facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam classificadas como terroristas.
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A pauta da segurança pública é um dos grandes eixos da diplomacia trumpista para a América Latina. O governo dos EUA já declarou que as facções brasileiras são "ameaças significativas à segurança regional". O governo brasileiro rejeita que as organizações criminosas sejam classificadas como terroristas por temer que a designação possa servir de pretexto para ações militares extraterritoriais dos americanos.
Lula disse que defendeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho com todos os países da América Latina, ou até do mundo: "Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado", disse Lula em entrevista a jornalistas após reunião realizada com Trump em Washington.
Lula disse ainda que questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime. "Como você vai fazer um País deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?", questionou.
Na entrevista, o presidente também destacou que parte das armas que chega no Brasil sai dos EUA. "É importante saber que tem lavagem de dinheiro que é feita em Estados americanos. Se a gente colocar a verdade na mesa e criarmos um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, poderemos resolver em décadas aquilo que não resolveu em séculos", afirmou.
Lula ainda defendeu o multilateralismo em contraste ao "unilateralismo das taxações do presidente Trump" e disse que nenhum país tem a hegemonia de combater o crime organizado. "É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos, e o Brasil tem expertise, tem uma extraordinária Polícia Federal (PF)", disse.
O presidente confirmou que o governo vai lançar um plano de combate ao crime organizado a partir da próxima semana. As ações preveem um investimento de R$ 960 milhões ainda neste ano. A área da segurança pública está entre aquelas com pior avaliação no governo e representa um gargalo para o presidente na campanha eleitoral deste ano.
"A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Vamos fazer algumas frentes, uma delas é a questão financeira. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções", afirmou
Encontro de três horas
A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington) desta quinta-feira (7), na Casa Branca, e durou três horas. Esse é o primeiro encontro dos dois na sede do governo americano.
Na reunião, Lula foi acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).
Já a equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.
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