Publicado 22/05/2026 17:42
O chefe do exército do Paquistão, Asim Munir, chegou nesta sexta-feira (22) a Teerã, no momento em que o Irã examina uma nova proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
PublicidadeO porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a visita não significava necessariamente "que tenhamos alcançado um ponto de inflexão ou uma situação decisiva".
As divergências entre Irã e Estados Unidos eram "profundas e extensas", acrescentou Baqaei em declarações reproduzidas pela agência iraniana Isna.
Um cessar-fogo interrompeu o conflito em 8 de abril, mas os esforços de negociação, incluindo as históricas conversas presenciais realizadas em Islamabad, não conseguiram até agora produzir um acordo duradouro.
O Exército paquistanês afirmou em comunicado que Munir havia "chegado a Teerã como parte dos esforços de mediação em andamento".
Segundo o comunicado, ele foi recebido pelo ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, e por seu homólogo paquistanês, Mohsin Naqvi.
Naqvi visitou o Irã pela segunda vez em uma semana na quarta-feira e se reuniu com o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Baqaei afirmou que uma delegação do Catar também manteve conversas com Araghchi nesta sexta-feira.
"Nos últimos dias, muitos países — tanto regionais quanto extrarregionais — tentaram ajudar a pôr fim à guerra. No entanto, o Paquistão continua sendo o mediador oficial", afirmou.
O Paquistão, vizinho oriental do Irã, sediou em abril as únicas negociações diretas entre autoridades americanas e iranianas realizadas desde o início da guerra.
Munir esteve no centro das atenções durante essa rodada de negociações, recebendo ambas as delegações em sua chegada e demonstrando cordialidade com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
Mas as conversas acabaram fracassando, e o Irã acusou os Estados Unidos de formularem "exigências excessivas".
Desde então, ambas as partes trocaram múltiplas propostas, sob a ameaça constante de uma retomada da guerra.
A imprensa iraniana havia informado na quinta-feira que a chegada de Munir a Teerã era esperada naquele mesmo dia para continuar "conversas e consultas" com as autoridades iranianas.
Teerã fechou de fato o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transitam grandes quantidades de petróleo e gás, em represália aos ataques americano-israelenses lançados em fevereiro.
O Irã reiterou que "nunca cederá à intimidação", enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica ameaça expandir a guerra "muito além da região" em caso de um novo ataque americano.
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