De todos os 4.499 refugiados admitidos por Trump, desde de outubro, apenas três não são sul-africanosAFP
Publicado 26/05/2026 17:50
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou de 7.500 para 17.500 o teto anual de refugiados no país para poder acolher até 10 mil sul-africanos brancos adicionais, segundo uma decisão publicada nesta terça-feira (26) no diário oficial, o Federal Register.
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Em 2025, o governo Trump reduziu para 7.500 o número máximo de refugiados admitidos nos Estados Unidos, frente aos 125 mil do ano anterior. Na ocasião, afirmou que queria dar prioridade à minoria branca da África do Sul.
De fato, as 4.499 pessoas admitidas nos Estados Unidos como refugiadas desde o início do ano fiscal (que começou em 1º de outubro) são sul-africanas, com exceção de três afegãos, segundo a tabela do Departamento de Estado americano que registra os dados até 31 de março.
O governo Trump acusa as autoridades sul-africanas de "perseguição" aos africâneres, descendentes dos colonos europeus do país. Além disso, critica Pretória por sua denúncia perante a Corte Internacional de Justiça por "genocídio" contra Israel devido à guerra em Gaza.
Em uma decisão datada de 21 de maio e publicada nesta terça-feira, Trump invoca uma "situação de emergência", provocada, segundo ele, por "um recente aumento da incitação à violência de caráter racial" por parte do governo e de partidos políticos sul-africanos.
Consequentemente, ordena que o teto de 7.500 refugiados por ano seja ampliado em 10 mil, e especifica que "as admissões adicionais deverão ser concedidas a africâneres da África do Sul".
O governo Trump impôs tarifas de 30% aos produtos sul-africanos atingidos por suas medidas alfandegárias, as mais elevadas entre os países da África Subsaariana, e boicotou em novembro a cúpula do G20 em Joanesburgo.
Os africâneres constituem a maioria da população branca da África do Sul.
Desse setor da população vieram os dirigentes políticos que instauraram o apartheid, o sistema de segregação racial que, de 1948 até o início dos anos 1990, privou a população negra — esmagadoramente majoritária — da maior parte de seus direitos.
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