Aprovação de financiamento de campanha de fiscalização da imigração representa vitória para TrumpAFP
Publicado 05/06/2026 07:31
O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira (5), 70 bilhões de dólares (R$ 352 bilhões) em financiamento para a campanha de Donald Trump de fiscalização da imigração, após um dia de votação sobre várias emendas que evidenciaram as divisões entre os republicanos em relação a outras propostas políticas do presidente.

O projeto de lei financiaria o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha da Fronteira pelo restante do mandato de Trump, dando ao líder republicano uma vitória significativa em uma de suas principais bandeiras após meses de disputas legislativas.

A medida agora segue para a Câmara dos Representantes, onde os líderes republicanos planejam analisá-la no início da próxima semana e enviá-la para a sanção de Trump.

A votação ocorre após uma paralisação parcial recorde do Departamento de Segurança Interna (DHS) no início deste ano, quando os democratas se recusaram a apoiar novos fundos para a fiscalização da imigração sem restrições, que incluíam táticas como batidas policiais e o uso de máscaras por agentes.

Os republicanos rejeitaram essas exigências, optando, em vez disso, por financiar o ICE e a Patrulha da Fronteira por meio do processo acelerado de "reconciliação orçamentária", que lhes permite contornar a oposição democrata, desde que mantenham seus próprios membros unidos.

A votação no Senado ocorreu após uma sessão de maratona nesta quinta-feira (4), durante a qual várias emendas foram votadas, evidenciando mais uma vez as divisões entre os republicanos.

O texto incluía, por exemplo, uma proposta para um fundo "antipolitização" para aliados de Trump que alegam ter sido alvo de perseguição injusta por administrações anteriores, e uma verba de 1 bilhão de dólares (R$ 5 bilhões) para a segurança do salão de baile que Trump planeja construir na Casa Branca.

O projeto de lei de imigração não incluía mais a verba para o salão de baile, mas ambas as questões ressaltaram o desconforto entre alguns republicanos em defender as prioridades de Trump na corrida para as eleições de meio de mandato.

Rebelião
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O projeto de lei foi adiado por semanas devido a uma rebelião de alguns senadores contra o pacote de compensação "antipolitização" proposto pelo Departamento de Justiça, no valor de 1,8 bilhão de dólares (9 bilhões de reais).

Os críticos o consideraram um "fundo opaco" que poderia permitir que pessoas condenadas pelo ataque ao Capitólio em 2021 recebessem dinheiro dos contribuintes.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, disse aos parlamentares esta semana que o governo não daria prosseguimento ao fundo.

Mas Trump continuou a defendê-lo como um projeto "maravilhoso" e disse que teria que "consultar os advogados" para saber se estava morto ou apenas suspenso. Essa ambiguidade levou alguns republicanos a tentarem eliminar explicitamente o fundo da lei.

"Não há como explicar o fundo de 1,776 bilhão" de dólares, disse o senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, a repórteres.

Embora as votações sobre as emendas tenham feito pouco para impedir a agenda de Trump, elas destacaram um problema recorrente para os republicanos: mesmo com o controle do Congresso, eles precisam lidar com a resistência interna ao custo político associado a algumas das prioridades do presidente.

Vários senadores se distanciaram de medidas que visavam o fundo "antipolitização", o financiamento futuro do salão de baile e a tentativa de Trump de nomear um funcionário da área de habitação leal ao presidente para chefiar a inteligência dos EUA.

Os democratas também aproveitaram a oportunidade para tentar redirecionar verbas da fiscalização da imigração para o setor da habitação e outros programas sociais.

Com a proximidade das eleições de meio de mandato, marcadas pela inflação, os democratas argumentam que os republicanos priorizam a agenda de deportações de Trump em detrimento do custo de vida.
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