Funeral do aiatolá Ali Khamenei em Teerã começa no sábado e termina na segunda-feiraDivulgação / Khamenei Media
Publicado 03/07/2026 09:19
Teerã foi transformada em uma fortaleza para a realização, a partir deste sábado (4), de um funeral para o líder supremo Ali Khamenei, quatro meses após sua morte nos ataques israelenses e americanos que desencadearam a guerra. As autoridades esperam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem da homenagem, que durará três dias.
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Khamenei, o guia supremo com mais tempo no poder desde a criação da República Islâmica em 1979, morreu aos 86 anos após bombardeios contra sua residência, em 28 de fevereiro.

Nesta sexta-feira (4), o corpo, disposto em um caixão coberto com uma bandeira do Irã, chegou à Grande Mosalla do Imã Khomeini, um grande complexo religioso e cultural na capital, onde acontecerá o funeral de Estado. A cerimônia pretende ser uma demonstração de força após o conflito de quase 40 dias com os Estados Unidos e Israel, que já custou a vida a altos dirigentes do governo e milhares de civis.

A presença do filho de Ali Khamenei, Mojtaba, que o sucedeu no início de março como líder supremo, não foi confirmada. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, ele se manifesta apenas por meio de mensagens escritas e não aparece em público.

Quem apareceu em público, pela primeira vez desde o início da guerra, foi Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária, nomeado para o cargo no começo de março após a morte de seu antecessor, Mohamad Paqpur, no primeiro dia do conflito. Vahidi colocou a mão sobre o caixão de Khamenei e rezou por alguns minutos, segundo uma foto divulgada pela agência de notícias Fars.

"As pessoas virão de todo o Irã. Vai ter muita gente", comentou em voz baixa Hosein Moghadassi, um funcionário de 43 anos. Espera-se que alguns comecem a fazer fila desde a noite de sexta-feira, aguardando a abertura dos portões às 6h00 de sábado (23h30 de sexta no horário de Brasília).
Ali Khamenei será enterrado em sua cidade natal, na próxima quinta-feira - Divulgação / Khamenei Media
Ali Khamenei será enterrado em sua cidade natal, na próxima quinta-feiraDivulgação / Khamenei Media


O grande complexo da Mosalla, concebido para acolher grandes orações, comemorações oficiais e concentrações religiosas, permanecerá aberto dia e noite até a próxima segunda-feira (6).

Em seguida, um cortejo que transportará o caixão de Khamenei desfilará pelas ruas de Teerã, antes de seguir na terça para a cidade sagrada de Qom.

É esperada a presença de governantes e autoridades de cerca de 30 países, principalmente vizinhos, entre eles o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro paquistanês Shebaz Sharif. A China estará representada por um alto dirigente do Parlamento, He Wei. Nenhum líder europeu foi convidado.

Funeral de Estado
O funeral de Estado para Khamenei estava inicialmente previsto para março, mas foi adiado devido à guerra. A despedida se projeta como a maior da história do Irã.

Em 1989, quando morreu seu antecessor, o fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, quase 10 milhões de pessoas compareceram à cerimônia fúnebre, segundo os números oficiais. Na ocasião, mais de 10 visitantes morreram pisoteados.

Ao lado do caixão de Khamenei também serão expostos os de seus familiares que morreram com ele no primeiro dia da guerra, entre eles o de uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta.

Fortaleza
O funeral acontece em um clima de tensão, no contexto de um frágil cessar-fogo entre Teerã e Washington, mas também seis meses após importantes manifestações contra o alto custo de vida e o governo.

A capital iraniana foi transformada em uma fortaleza, com abundantes forças de segurança e um enorme perímetro inacessível de carro.

O aeroporto de Teerã está parcialmente fechado e ficará totalmente fechado na segunda-feira, declarada feriado em todo o país. Os centros comerciais baixaram as portas e as empresas foram obrigadas a interromper suas atividades.

Ali Khamenei será enterrado na próxima quinta-feira (09) na cidade sagrada de Meshed, no nordeste do Irã, onde nasceu. Como líder religioso, seu caixão fará escala na quarta-feira no vizinho Iraque, onde a comunidade xiita também é majoritária.
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