Publicado 14/07/2026 12:57
A psicóloga colombiana Catalina Giraldo Silva, de 30 anos, morreu em uma clínica de Bogotá após uma longa batalha judicial para obter autorização para realizar o suicídio assistido, uma modalidade que ainda não é regulamentada na Colômbia. O caso foi divulgado pelo telejornal colombiano Noticias Caracol nesta segunda-feira, 13.
PublicidadeCatalina morreu na última quinta-feira, 9, por meio da eutanásia, procedimento permitido no país, depois de aceitar uma alternativa diferente da que havia solicitado inicialmente.
A diferença entre os dois procedimentos está em quem realiza a ação final: na eutanásia, o médico administra o medicamento que provoca a morte; no suicídio assistido, o profissional de saúde fornece a substância, mas é o próprio paciente quem a utiliza.
Diagnosticada com transtorno depressivo maior grave, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade, Catalina passou anos submetida a diferentes tratamentos. Segundo o Noticias Caracol, ela realizou cerca de 40 combinações de medicamentos, passou por nove internações psiquiátricas e por ciclos de terapia eletroconvulsiva, sem apresentar melhora significativa.
Em 2025, após considerar que havia esgotado as alternativas terapêuticas, a psicóloga solicitou à operadora de saúde Sanitas autorização para realizar o suicídio assistido. O pedido foi negado sob o argumento de que não havia regulamentação específica para o procedimento.
"Eu queria uma forma segura de fazer isso, sem precisar fazer escondida", afirmou Catalina ao Noticias Caracol. Segundo ela, a possibilidade de contar com acompanhamento médico e a presença da família representava uma forma de evitar uma morte solitária e traumática.
A defesa de Catalina, liderada pelo advogado Lucas Correa, recorreu à Justiça para tentar garantir o acesso ao procedimento. O argumento era de que a ausência de regulamentação não poderia impedir um direito reconhecido pela Corte Constitucional colombiana.
Em 2022, a Corte decidiu que médicos não cometem crime ao auxiliar um paciente com sofrimento intenso causado por uma doença grave e incurável a morrer, desde que haja consentimento livre, informado e consciente. Apesar da decisão, o procedimento permaneceu sem regras claras de aplicação.
Após meses de espera e uma nova internação psiquiátrica, Catalina decidiu solicitar a eutanásia, procedimento que inicialmente havia rejeitado por entender que isso significaria abandonar sua luta pelo suicídio assistido.
"Eu não sinto que estou desistindo; sinto que estou entregando um pouco agora a responsabilidade a outros", afirmou na última entrevista concedida ao Noticias Caracol, horas antes de morrer.
Durante a conversa, a psicóloga afirmou que sua luta não era uma defesa da morte, mas uma tentativa de discutir formas de cuidado para pessoas em sofrimento extremo. "Não é romantizar a morte; é acompanhá-la, é cuidar dela, é respeitar o processo da pessoa", disse.
Antes de morrer, Catalina pediu que seu caso servisse para ampliar o debate sobre saúde mental e o direito a uma morte digna na Colômbia. "Esta luta não termina comigo", afirmou. "Há pessoas que sofrem e que cometem suicídio todos os dias."
Segundo o Noticias Caracol, Catalina morreu acompanhada da mãe, María Ángela Silva, da irmã e de familiares. A mãe afirmou que apoiar a decisão da filha foi uma forma de reconhecer o sofrimento que ela enfrentava havia anos.
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