Publicado 15/07/2026 13:01
A Justiça do Quênia negou, nesta quarta-feira (15), o direito aos rastafáris de fumar maconha por motivos religiosos. Membros da comunidade consideram a decisão um ataque à "espiritualidade africana". Os rastafáris, normalmente identificados por seus rastas (dreadlocks), afirmam que o consumo de maconha é parte de sua meditação religiosa.
PublicidadeO movimento, de caráter político e espiritual, nasceu na Jamaica na década de 1930, coincidindo com a coroação de Haile Selassie, a quem seus seguidores consideram o segundo Messias, enviado para salvar o povo negro. Difundido por todo o mundo, o movimento se define como místico, pan-africanista, anticolonialista e vegetariano.
Os rastafáris aguardam há anos que a Justiça queniana decida se podem consumir maconha com base na liberdade de culto garantida pela Constituição. Mas o tribunal queniano considerou que eles não demonstraram por que a legislação afeta suas liberdades religiosas e rejeitou o pedido "em sua totalidade".
Embora todas as testemunhas tenham concordado que a cannabis é usada como sacramento, "não houve consenso sobre se seu uso é essencial ou simplesmente preferível", destacou o juiz em sua decisão.
Um dos autores da ação, Ras Dimo, de 40 anos, declarou à reportagem que a decisão reflete "as leis da opressão, leis coloniais que buscam menosprezar a espiritualidade africana".
"Os 'rastaman' só querem queimar esta planta sagrada para que o incenso se eleve até o Todo-Poderoso", acrescentou. O advogado da comunidade afirmou que pretende apresentar um recurso contra a decisão.
Os rastafáris do Quênia denunciam assédio policial devido a uma lei de 1994, que pune a posse de maconha para consumo pessoal com 10 anos de prisão e uma multa elevada.
Apesar de negar o direito, o tribunal reconheceu que a legislação é severa demais, levando em consideração que o consumo recreativo de cannabis se generalizou no país. O "status quo parece insustentável", afirmou o tribunal, que defende "conversas francas sobre a maconha e que rumo tomar".
O país do leste da África reconheceu de fato o rastafarianismo em 2019, quando um tribunal decidiu que expulsar uma estudante da escola devido aos seus dreadlocks violava seus direitos religiosos.
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