Publicado 07/08/2026 16:38 | Atualizado 07/08/2026 16:48
O governo espanhol ameaçou a Itália, nesta sexta-feira (7), com "medidas proporcionais" caso não retire os controles de fronteira adotados após o início da crise migratória em Ceuta na semana passada, um aviso ignorado por Roma.
PublicidadeLEIA MAIS: Espanha anuncia 'normalidade' em Ceuta e pede reunião sobre migração
A Itália fechou temporariamente para a Espanha o espaço Schengen, a zona de livre circulação da UE, há uma semana, após a chegada de mais de 70 mil migrantes ao enclave espanhol de Ceuta vindos do vizinho Marrocos.
O episódio provocou críticas de outros países da União Europeia cujos governos, ao contrário do Executivo espanhol de Pedro Sánchez, promovem políticas rígidas em relação à imigração.
A Itália liderou essa frente e anunciou a suspensão temporária por um mês do espaço de livre circulação com seu parceiro europeu, o que resultou em controles de passageiros que chegam de barco ou avião vindos da Espanha.
O governo espanhol criticou essa decisão nesta sexta-feira por considerá-la "injusta, contrária aos interesses da UE e discriminatória para a população espanhola".
O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, descreveu a medida como "um torpedo na linha de flutuação da unidade europeia".
"Instamos o governo da Itália a que corrija, ponha fim aos controles e trate os espanhóis como o restante dos cidadãos europeus", afirmou o Executivo em comunicado.
"Se isso não acontecer antes do fim do domingo, 9 de agosto, a Espanha se verá obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos", advertiu.
As imagens impactantes dos migrantes chegando à cidade autônoma deram a volta ao mundo e provocaram fortes tensões na União Europeia.
Cerca de 72.000 pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias de julho, a grande maioria a nado ou a pé, embora cerca de 70.000 já tenham regressado ao Marrocos, segundo os últimos números oficiais da Espanha.
Os que permanecem nesse enclave no norte da África, entre eles centenas de menores desacompanhados, dispõem de pouco acesso a comida, água ou abrigo.
As autoridades espanholas contabilizaram em 80 os mortos pelo ocorrido. Do lado marroquino, o Ministério do Interior informou 11 mortos.
No entanto, um grupo de ONGs marroquinas afirmou nesta sexta-feira que o número de vítimas era de pelo menos 141 mortos e que provavelmente iria aumentar.
'Itália não aceita ultimatos'
A Itália fechou temporariamente para a Espanha o espaço Schengen, a zona de livre circulação da UE, há uma semana, após a chegada de mais de 70 mil migrantes ao enclave espanhol de Ceuta vindos do vizinho Marrocos.
O episódio provocou críticas de outros países da União Europeia cujos governos, ao contrário do Executivo espanhol de Pedro Sánchez, promovem políticas rígidas em relação à imigração.
A Itália liderou essa frente e anunciou a suspensão temporária por um mês do espaço de livre circulação com seu parceiro europeu, o que resultou em controles de passageiros que chegam de barco ou avião vindos da Espanha.
O governo espanhol criticou essa decisão nesta sexta-feira por considerá-la "injusta, contrária aos interesses da UE e discriminatória para a população espanhola".
O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, descreveu a medida como "um torpedo na linha de flutuação da unidade europeia".
"Instamos o governo da Itália a que corrija, ponha fim aos controles e trate os espanhóis como o restante dos cidadãos europeus", afirmou o Executivo em comunicado.
"Se isso não acontecer antes do fim do domingo, 9 de agosto, a Espanha se verá obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos", advertiu.
As imagens impactantes dos migrantes chegando à cidade autônoma deram a volta ao mundo e provocaram fortes tensões na União Europeia.
Cerca de 72.000 pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias de julho, a grande maioria a nado ou a pé, embora cerca de 70.000 já tenham regressado ao Marrocos, segundo os últimos números oficiais da Espanha.
Os que permanecem nesse enclave no norte da África, entre eles centenas de menores desacompanhados, dispõem de pouco acesso a comida, água ou abrigo.
As autoridades espanholas contabilizaram em 80 os mortos pelo ocorrido. Do lado marroquino, o Ministério do Interior informou 11 mortos.
No entanto, um grupo de ONGs marroquinas afirmou nesta sexta-feira que o número de vítimas era de pelo menos 141 mortos e que provavelmente iria aumentar.
'Itália não aceita ultimatos'
O governo italiano justificou a suspensão da livre circulação - uma das maiores conquistas da União Europeia - como uma "decisão necessária para proteger a segurança" de seus cidadãos "e defender as fronteiras da Europa".
Após o ultimato de Madri, o governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni respondeu que não tem intenção de "rever a decisão" antes de 15 de agosto.
Segundo a imprensa espanhola, a polícia monitora rumores que circulam na internet e mensagens nas redes sociais sobre uma possível nova chegada em massa de migrantes nessa data. As autoridades não se pronunciaram explicitamente sobre o assunto.
"A Itália não aceita ultimatos nem imposições externas em matéria de segurança nacional e controle de fronteiras", afirmou o gabinete de Meloni em um comunicado.
"Somente quando houver certeza de que não há riscos à segurança ou de terrorismo para a Itália, de que não está ocorrendo uma nova onda migratória e de que não há migrantes em situação irregular se dirigindo ao território europeu, reconsideraremos a decisão", acrescentou.
A Itália não faz fronteira terrestre com a Espanha, mas introduziu controles nos pontos de entrada marítimos e aéreos para cidadãos de países de fora da União Europeia que chegam do território espanhol.
O governo Meloni tem tentado conter a chegada das dezenas de milhares de migrantes que desembarcam todos os anos em pequenas embarcações na costa da península.
Em seu ultimato, o governo espanhol pediu à Itália que evitasse "criar divisões e conflitos estéreis motivados por interesses eleitorais" e manifestou confiança de que "o espírito europeu, o bom senso e a boa-fé prevalecerão".
Após o ultimato de Madri, o governo da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni respondeu que não tem intenção de "rever a decisão" antes de 15 de agosto.
Segundo a imprensa espanhola, a polícia monitora rumores que circulam na internet e mensagens nas redes sociais sobre uma possível nova chegada em massa de migrantes nessa data. As autoridades não se pronunciaram explicitamente sobre o assunto.
"A Itália não aceita ultimatos nem imposições externas em matéria de segurança nacional e controle de fronteiras", afirmou o gabinete de Meloni em um comunicado.
"Somente quando houver certeza de que não há riscos à segurança ou de terrorismo para a Itália, de que não está ocorrendo uma nova onda migratória e de que não há migrantes em situação irregular se dirigindo ao território europeu, reconsideraremos a decisão", acrescentou.
A Itália não faz fronteira terrestre com a Espanha, mas introduziu controles nos pontos de entrada marítimos e aéreos para cidadãos de países de fora da União Europeia que chegam do território espanhol.
O governo Meloni tem tentado conter a chegada das dezenas de milhares de migrantes que desembarcam todos os anos em pequenas embarcações na costa da península.
Em seu ultimato, o governo espanhol pediu à Itália que evitasse "criar divisões e conflitos estéreis motivados por interesses eleitorais" e manifestou confiança de que "o espírito europeu, o bom senso e a boa-fé prevalecerão".
Mortes
Associações marroquinas de defesa dos direitos humanos estimaram que pelo menos 141 pessoas morreram na semana passada ao tentar chegar ao enclave espanhol de Ceuta, muitas delas a nado, e alertaram que o número de vítimas pode aumentar.
"Acredito que o número de mortos será, infelizmente, muito elevado e continuará aumentando", afirmou Achraf Mimoun, presidente da seção local da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), durante uma coletiva de imprensa em Rabat.
A AMDH e a Coordenação Europeia para os Direitos Humanos no Marrocos, que reúne ONGs marroquinas sediadas na Europa, baseiam-se em "dados oficiais, da imprensa e outros coletados por organizações de defesa dos direitos humanos" para elaborar esse balanço provisório, ao qual ainda é preciso acrescentar "desaparecidos e feridos", explicou.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão marroquino consultivo e independente, anunciou um balanço de 14 mortos no lado marroquino da fronteira. O governo havia informado no domingo a morte de 11 pessoas.
Do outro lado da fronteira, as autoridades espanholas registraram pelo menos 80 mortes.
"Muitas famílias ainda aguardam informações sobre o destino de seus parentes", destacou Mimoun.
Segundo ele, há 21 corpos não identificados no necrotério de Tetuão, a maior cidade marroquina nas proximidades de Ceuta.
Durante a coletiva, as ONGs marroquinas reiteraram um apelo feito na semana passada pela "abertura de uma investigação independente, transparente e exaustiva".
Segundo essas organizações, 111 pessoas foram detidas durante essa tentativa de chegar a Ceuta.
Até o momento, nenhuma informação oficial foi divulgada sobre eventuais detenções ou processos judiciais.
Na sexta-feira passada, um jornalista da AFP testemunhou pelo menos 30 detenções quando a polícia marroquina reprimiu, com canhões de água e gás lacrimogêneo, migrantes que tentavam entrar em Ceuta e lançavam pedras contra os agentes.
"Acredito que o número de mortos será, infelizmente, muito elevado e continuará aumentando", afirmou Achraf Mimoun, presidente da seção local da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), durante uma coletiva de imprensa em Rabat.
A AMDH e a Coordenação Europeia para os Direitos Humanos no Marrocos, que reúne ONGs marroquinas sediadas na Europa, baseiam-se em "dados oficiais, da imprensa e outros coletados por organizações de defesa dos direitos humanos" para elaborar esse balanço provisório, ao qual ainda é preciso acrescentar "desaparecidos e feridos", explicou.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão marroquino consultivo e independente, anunciou um balanço de 14 mortos no lado marroquino da fronteira. O governo havia informado no domingo a morte de 11 pessoas.
Do outro lado da fronteira, as autoridades espanholas registraram pelo menos 80 mortes.
"Muitas famílias ainda aguardam informações sobre o destino de seus parentes", destacou Mimoun.
Segundo ele, há 21 corpos não identificados no necrotério de Tetuão, a maior cidade marroquina nas proximidades de Ceuta.
Durante a coletiva, as ONGs marroquinas reiteraram um apelo feito na semana passada pela "abertura de uma investigação independente, transparente e exaustiva".
Segundo essas organizações, 111 pessoas foram detidas durante essa tentativa de chegar a Ceuta.
Até o momento, nenhuma informação oficial foi divulgada sobre eventuais detenções ou processos judiciais.
Na sexta-feira passada, um jornalista da AFP testemunhou pelo menos 30 detenções quando a polícia marroquina reprimiu, com canhões de água e gás lacrimogêneo, migrantes que tentavam entrar em Ceuta e lançavam pedras contra os agentes.
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