Publicado 11/08/2026 11:51
Um tribunal sírio condenou à morte nesta terça-feira (11), à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad e seu irmão mais novo, Maher, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante o conflito de 14 anos no país, que deixou cerca de meio milhão de mortos.
PublicidadeAs sentenças, proferidas pelo 4º Tribunal Criminal de Damasco, são as primeiras contra Assad ou integrantes de seu círculo mais próximo desde o fim de cinco décadas de poder da família Assad, há um ano e oito meses.
"Bashar al-Assad usou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade", disse o juiz Fakhareddine al-Aryan durante a sessão, transmitida ao vivo pela TV estatal.
No mesmo processo, também foi condenado à morte Atef Najib, primo materno de Assad, considerado culpado de supervisionar a repressão na província sulista de Daraa, que desencadeou o levante e, mais tarde, a guerra civil. Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu em uma cela, vestindo uniforme de prisioneiro, enquanto o juiz lia a sentença. Um grupo de pessoas se reuniu do lado de fora do tribunal, no centro de Damasco, para acompanhar o veredito.
Assad e Maher fugiram para a Rússia após a queda do governo, em dezembro de 2024, e receberam asilo político. Os novos governantes sírios pediram a Moscou que entregue os irmãos.
Najib, alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA em abril de 2011, foi detido posteriormente e é um dos integrantes de mais alto escalão do antigo governo a ser levado a julgamento Ex-brigadeiro-general do Exército sírio, ele chefiou o braço de Segurança Política em Daraa em 2011, quando adolescentes que picharam mensagens contra o governo em uma escola foram presos e torturados - caso que se tornou um estopim para protestos em massa.
A repressão aos protestos levou à escalada do conflito e à guerra civil, encerrada com a queda de Assad após uma ofensiva relâmpago de rebeldes.
Maher al-Assad foi comandante da 4ª Divisão Blindada do Exército sírio, acusada por ativistas da oposição de assassinatos, tortura, extorsão e tráfico de drogas, além de manter seus próprios centros de detenção.
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