Primeira-ministra, Kristrun Frostadottir, durante votaçãoJonathan Klein / AFP
Publicado 30/08/2026 14:29
Os islandeses rejeitaram a retomada das negociações de adesão à eia, segundo os resultados finais do referendo divulgados neste domingo (30), um revés para Bruxelas, que via com bons olhos uma possível candidatura da próspera ilha do Atlântico Norte.

Os islandeses votaram no sábado (29) em um referendo acirrado sobre a retomada ou não das negociações de adesão à UE. Segundo a emissora pública RUV, após a contagem de todos os votos, 52,8% dos eleitores responderam "não" e 47,2% "sim".

O país, com apenas 400 mil habitantes, solicitou a adesão à UE após a crise financeira de 2009, que devastou sua economia, fortemente exposta a hipotecas 'subprime' americanas.  As negociações, no entanto, foram suspensas em 2013 com a ascensão ao poder de um governo eurocético.

"Quero ser absolutamente clara: este governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura", que se estenderá até 2028, afirmou a primeira-ministra islandesa, Kristrun Frostadottir, que havia se mostrado favorável à retomada das negociações.

Essa rejeição não é "um revés", mas "uma vitória para a democracia", acrescentou a líder social-democrata. Oito em cada dez eleitores participaram do referendo, que foi promovido pelo governo.

O resultado negativo congela qualquer discussão sobre uma possível adesão ao bloco até pelo menos 2028 e representa um grande revés para a UE, que parecia disposta a fazer concessões para que a Islândia se juntasse às suas fileiras. 

A Islândia mantém uma estreita parceria com a UE por meio de sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE) e no Espaço Schengen de livre circulação, laços que devem permanecer inalterados. Diante da crescente pressão internacional, o atual governo quis avaliar a opinião pública para verificar se as pessoas eram favoráveis a uma integração mais profunda. Embora o resultado do referendo não seja vinculativo, o Executivo prometeu respeitá-lo.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse à primeira-ministra da Islândia, neste domingo, que o bloco "respeita plenamente a escolha democrática" dos eleitores, afirmou um porta-voz. "A Islândia continua sendo um dos parceiros mais próximos e confiáveis da UE", enfatizou o porta-voz de Costa, que representa os Estados-membros do bloco.

'Unir os dois lados'
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A campanha focou principalmente em questões econômicas e nacionais, embora a guerra na Ucrânia e as ambições do presidente dos EUA, Donald Trump, na vizinha Groenlândia, tenham dado à votação uma dimensão geopolítica.

Em todo caso, a votação "permitiu um debate renovado sobre a União Europeia, sobre o lugar da Islândia no mundo e, de forma mais abrangente, sobre o seu posicionamento geopolítico", disse Frostadottir no sábado.

A campanha mobilizou e dividiu profundamente os islandeses. Segundo a RUV, a participação foi de 82,5%, superior à das eleições parlamentares de 2009, no auge da crise econômica. 
"Talvez ainda esteja em uma espécie de fase de negação depois do que acabou de acontecer", disse à AFP Elisabet Anna Kristjansdottir, uma artista de 37 anos. "É muito triste que os islandeses nem sequer queiram explorar as possibilidades de aderir à União Europeia."

Em contraste, outra eleitora, Anna Maria Bogadottir, disse estar "muito feliz" com o resultado. "Agora temos que assimilar o resultado, pois ele nos apresenta o desafio de unir os dois lados, cada um representando 50% do país."

A pesca, que representa quase 40% das exportações do país, foi um dos principais pontos de discórdia durante a campanha. A Islândia quer manter o controle exclusivo, recusando-se a cumprir as cotas anuais estabelecidas por Bruxelas, que se mostrou disposta a encontrar "soluções criativas".

Para a União Europeia, que não admite nenhum país rico desde 1995, a adesão da Islândia teria sido vista como um sinal positivo de sua política de ampliação e teria permitido fortalecer sua presença no Ártico, uma região cada vez mais cobiçada.

Uma vitória do "sim" na Islândia também poderia ter reacendido o debate na Noruega, outro país muito próspero que continua relutante em aderir ao bloco.

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