Os professores da rede municipal de Nilópolis apresentam seus livrosFelipe Soares/ PMN
Publicado 17/04/2023 22:57 | Atualizado 17/04/2023 22:58
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Nilópolis - “Sem a sua, sem a sua, sem a sua companhia”, a música do folclore mineiro, foi interpretada na flauta pelo pedagogo e psicopedagogo Vicente Zarki, para alunos do segundo ano da Escola Municipal Jorge Mkhail Jarjous, localizada no Centro, de Nilópolis, na manhã desta segunda-feira (17/04). Além de contador de histórias que embala suas apresentações com música e elementos cênicos, Zarki integra o grupo de professores escritores da rede municipal de ensino da cidade, ao lado de Ana Paula Monteiro, Lucy Silva, chamada de tia Lucy, e da poetisa Denise Cruz, da equipe de Educação Antirracista da rede.
Na véspera do Dia Nacional do Livro Infantil, 18 de abril, eles tomaram conta da quadra do colégio e levaram as crianças na faixa de 7 anos de idade, para outros mundos, outros universos. Ana Paula Monteiro lembra com carinho de um dos livros que marcaram sua infância. “É o livro ‘Sofá Estampado’ de Ligya Bojunga”. Ana Paula lançou em maio de 2022, ‘Por Um Mundo Melhor’.
Zaki, tia Lucy e Ana Paula com alunos da rede municipal - Felipe Soares/ PMN
Zaki, tia Lucy e Ana Paula com alunos da rede municipalFelipe Soares/ PMN

Professores escritores do município
O enredo desse último livro narra a trajetória de Zaila e Aruana, que percebem as mudanças do ambiente e o sofrimento de todos que convivem com a floresta e seus arredores. “Zaila e Aruana unem forças com outras crianças para salvar a natureza. Há a discussão de questões ambientais, diversidade cultural e sobre o respeito”, explicou Ana Paula, criada no bairro do Cabuís, agora casada e com um filho de 11 anos.
O pedagogo e psicopedagogo Vicente Zaki, 51 anos, decidiu escrever o primeiro livro depois da morte do irmão. “Precisava homenageá-lo de alguma forma. O nome do protagonista é Bené, o apelido de meu irmão. Surgiu então a história ‘Bené, a Canoa e o Mar’, pela editora Arte da Palavra. O subtítulo ‘Um conto de Areia’ é porque a fábula se passa no mar, com pescadores, água e peixes. “Também quis fazer referência à Clara Nunes, que interpretou ‘Conto de Areia’ (de autoria de Antonio Pinto e Romildo Bastos)”.
Escrito no período de pandemia por Zaki e tia Lucy, o livro ‘Chapeuzinho Vermelho no Grande Reino do Asfalto’ ainda não foi para o prelo. Criado e inspirado pelo surgimento da pandemia da Covid-19, ele é uma versão para o famoso conto de fadas escrito pelo francês Charles Perrault. Ele buscar conscientizar as crianças sobre o que é a doença e a importância vacina.
Tia Lucy lançou ainda ‘Aham’, ‘Lilica Chuá e a Cidade da Chuva’ e ‘Bordadeira’. Parou de trabalhar com contação de histórias e se dedica exclusivamente à sala de aula. “Continuo contando histórias na minha sala na Escola Margarida Sabino. Dou aula para o segundo ano. Meu primeiro livro foi ‘Lilica Chuá’, mas desde pequena eu já gostava de escrever. Vários autores marcaram minha infância, entre eles Richard Bach, com ‘Fernão Capelo Gaivota’ e Lewis Caroll, que escreveu ‘Alice no País das Maravilhas”.
Lucy Silva já assinou contrato com a editora Casa para traduzir ‘Lilica Chuá’ para braile (sistema de leitura para pessoas cegas ou com baixa visão). “Pretendemos também transformá-lo em um áudio book”, antecipou tia Lucy.
‘Jogos e Brincadeiras Africanas. O brincar que nasce do chão’, livro organizado pelos autores Matheus Pinheiro e Jonathan Aguiar, teve poesias da professora Denise Cruz. O lançamento foi na Feira Literária do Renascença Clube, dia 15 de outubro do ano passado, no bairro do Andaraí. Nada mais cativante para a pedagoga, que integra um coletivo de pedagogas responsável na Coordenação da Educação Infantil Nilopolitana – O Afroamar-se, que trabalha a valorização das crianças negras por sua cor, seu cabelo, suas raízes culturais e suas potências.
Aluna ouve história com atençãoFelipe Soares/ PMN
Todos eles vão participar da III Ciranda Literária com os alunos da rede de ensino municipal na terça-feira, dia 25 de abril, na Escola de Samba Beija-Flor, na Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, no Centro, das 9h às 15h. O tema do evento será ‘Da minha janela: contos, cantos e encantos’, uma homenagem ao autor Otavio Jr, que recebeu o prêmio Jabuti, mais tradicional prêmio literário do Brasil, em 2020, na categoria infantil pelo livro ‘Da minha janela’.
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