Obra "Coração Anatômico" de Gigi WanderleyDivulgação
Publicado 09/02/2026 13:11
Niterói - Entre os dias 04 março e 12 de abril de 2026, o Centro de Artes UFF recebe a exposição Sobreviventes. A mostra multiplataforma sobre a vida após a violência doméstica propõe uma experiência imersiva que desloca o foco da violência para a reconstrução, apresentando mulheres que romperam o ciclo e são protagonistas de suas próprias histórias. Com entradas gratuitas, o Centro de Artes da UFF fica localizado na Rua Miguel de Frias, n. 9, em Icaraí.
Publicidade
A proposta rompe com a lógica da espetacularização da dor. Aqui, o foco não está na violência como fim, mas nos caminhos que se abrem com o rompimento do ciclo da violência. “Precisamos falar das sobreviventes não somente como exceções diante das estatísticas avassaladoras do feminicídio, mas também como mulheres que seguem existindo e que encontram na liberdade um horizonte de possibilidades”, destaca Maria da Penha, fundadora e presidente de honra do Instituto Maria da Penha e inspiradora da Lei n. 11.340/2006.
Idealizada por Juliana Gouveia, que atua no cinema desde 2009 e desenvolve projetos com foco em narrativas femininas, a exposição nasceu do desejo de compreender de que maneira é possível romper os ciclos de violência. “Sobreviventes extrapola o cinema e se firma como uma exposição multiplataforma. É sobre como cada uma dessas mulheres passou a reconstruir seus sonhos e seu autoamor, encontrando novos projetos de vida após saírem da situação de violência. É sobre os futuros possíveis e as descobertas de se viver em liberdade”, afirma a cineasta e curadora.
O Brasil ainda enfrenta índices alarmantes de feminicídio, mesmo após a Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2015), e a maioria dos casos ocorre dentro do ambiente doméstico. A exposição, portanto, se posiciona também como ferramenta de conscientização e mobilização, ao ampliar o acesso à informação e encorajar a denúncia. O percurso expositivo reúne fotografias, áudio-histórias, ilustrações, obras têxteis e videodança, criando uma experiência sensorial que conduz o visitante da escuta à expansão do corpo livre. A obra Áudio-Histórias, por exemplo, apresenta relatos reais interpretados por atrizes convidadas, reforçando que cada trajetória é singular e que a sobrevivência não cabe em uma única forma.
Com apoio do Instituto Maria da Penha e do Ministério Público do Rio de Janeiro, o projeto amplia sua atuação para além do espaço expositivo e incorpora ações de impacto e orientações práticas sobre como identificar e interromper o ciclo da violência. “São dois percursos expositivos. O primeiro é um labirinto: entre as obras, o público escuta as histórias de sete mulheres, intercaladas. Escolhemos o labirinto como centro, porque a violência doméstica dá essa sensação de aprisionamento, de não haver saída. Mas há saída, e essas sete histórias mostram caminhos possíveis para romper o ciclo. No trajeto, surgem obras que remetem ao espaço doméstico e que simbolizam o tempo de reconhecer, nomear e conseguir falar sobre o que aconteceu. Ao sair do labirinto, no segundo percurso, uma videodança aponta para a liberdade e a reconstrução”, comenta Juliana.

Sobreviventes não oferece respostas simplificadas, mas afirma algo concreto: sair é possível. Reconstruir é possível. E nomear a violência corretamente é parte do processo. Ao final da exposição, o público poderá levar panfletos do Ministério Público com informações sobre como pedir ajuda e, no site da exposição, encontrar o caminho completo para realizar uma denúncia, solicitar a medida protetiva e fazer o boletim de ocorrência online, entre outros dados relevantes.
SERVIÇO:

SOBREVIVENTES – Exposição Multiplataforma

Centro de Artes UFF – Niterói (RJ)

Data: 04/03/2026 a 12/04/2026

Entrada franca
Leia mais