Publicado 24/03/2026 21:41
Niterói - Apesar de o golpe que instaurou longos anos de regime militar no país estar às vésperas de completar seu 62º aniversário, e o fim da ditadura no Brasil fazer 41 anos nesse mês de março, o mais grave ataque às instituições democráticas é recente e data de 2023. Completando três anos do episódio que chocou o Brasil, a Universidade Federal Fluminense convida o público a um mergulho na memória coletiva do país com a inauguração, dia 31 de março, da exposição “Subterrâneos a céu aberto”. A mostra propõe uma reflexão sobre o episódio do dia 8 de janeiro de 2023, em que os prédios dos Três Poderes em Brasília foram invadidos e a ordem democrática, ameaçada, a partir de um acervo inédito de imagens produzidas nas mídias digitais pelos próprios participantes dos atos. Ao reuni-las e apresentá-las ao público, a mostra contribui para o debate sobre a preservação das instituições democráticas.
Na ocasião, os acontecimentos foram transmitidos em tempo real na internet. Com poucos registros profissionais, o país acompanhou a destruição dos prédios dos Três Poderes por meio de vídeos e fotografias compartilhados pelos próprios envolvidos. Posteriormente, muitos desses conteúdos foram apagados, numa tentativa de evitar responsabilizações e reescrever os fatos. Na contramão desse processo, a exposição resulta de uma pesquisa dedicada ao arquivamento de imagens e vídeos que circularam nas mídias digitais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. Preservado como parte de um esforço sistemático de documentação, esse material é apresentado pela primeira vez no Centro de Artes da UFF.
Para o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, "realizar uma exposição inédita sobre o 8 de Janeiro no Centro de Artes da UFF é uma demonstração da nossa missão institucional como guardiã da democracia e do pensamento crítico. Esta mostra traz à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a fragilidade da memória em tempos de plataformas digitais. Ao articular dados, arte e tecnologia, nossa universidade se consolida como um espaço ativo de reflexão, onde a justiça de transição e a cidadania são debatidas para garantir que o passado não seja silenciado, mas sim compreendido para protegermos o futuro".
A leitura do acervo permite reconhecer a emergência de forças que, embora muitas vezes atuem de forma silenciosa e marginal, tornaram-se visíveis de maneira explícita nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Ideias autoritárias, discursos antidemocráticos e práticas de violência política, que por décadas circularam em camadas subterrâneas da sociedade brasileira, vieram à tona sem disfarces, ocupando praças, prédios institucionais e as próprias redes digitais. A exposição convida o público a olhar para essas camadas expostas não como exceção, mas como expressão de um problema histórico que atravessa o país e insiste em reaparecer quando não é enfrentado.
Para o professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e Pesquisador Associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais da UFF (INCT/DSI), que coordena a curadoria da exposição, Marcelo Alves, “Subterrâneos a céu aberto traduz para uma linguagem de expressão artística um trabalho de pesquisa, realizado desde o final de 2022 até 2025, de preservação de vídeos e imagens das plataformas digitais que foram utilizados para mobilizar os atos em favor de uma tentativa de intervenção militar. Trata-se de um projeto voltado para a preservação de um acervo de mais de um milhão de publicações desse período, com imagens que foram removidas das plataformas digitais a partir de ações das próprias pessoas, que buscavam evitar responsabilizações jurídicas”.
A exposição é estruturada em quatro ambientes distintos, que se articulam com três obras de artistas convidados, integradas ao espaço de forma a ampliar as possibilidades de leitura e vivência da mostra. Os quatro ambientes — labirinto, mosaico, acampamentos e caverna — compõem um conjunto aberto, no qual o visitante é convidado a circular livremente, construindo seu próprio trajeto e estabelecendo relações entre os ambientes, as obras e os temas propostos.
As obras dos artistas convidados funcionam como um segundo eixo narrativo – zonas de respiro poético que tensionam e expandem os sentidos propostos pela pesquisa exposta. Todas elas trazem em si elementos da bandeira nacional – símbolo apropriado pela extrema direita e muito presente entre os golpistas nas ações do dia 8 de janeiro de 2023. Contudo, nas obras apresentadas, a bandeira surge para apontar os desafios sociais que marcam o país. Assim, ao contrapor estes usos antagônicos do mesmo símbolo – de um lado, sua instrumentalização para a defesa de pautas antidemocráticas; de outro, chamando atenção para as desigualdades estruturais –, busca-se estimular a reflexão sobre o que ainda precisa ser enfrentado para o fortalecimento da democracia no país.
Ainda segundo Macelo Alves, “todo esse trabalho de documentação tem um foco na pesquisa acadêmica, com a composição de redes que possibilitem a outros pesquisadores se debruçarem sobre esse material posteriormente; além disso, a exposição constrói uma experiência estética em torno da exploração da percepção de mundo das pessoas envolvidas nos atos de destruição, de cunho antidemocrático”.
A curadoria foi realizada pelo Condado Lab – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Dados e Tecnologia da PUC-Rio, sob coordenação do pesquisador Marcelo Alves, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT/DSI) e do Instituto Democracia em Xeque. A exposição reafirma o papel da pesquisa acadêmica na documentação de acontecimentos recentes e na reflexão pública sobre seus significados.
PublicidadeNa ocasião, os acontecimentos foram transmitidos em tempo real na internet. Com poucos registros profissionais, o país acompanhou a destruição dos prédios dos Três Poderes por meio de vídeos e fotografias compartilhados pelos próprios envolvidos. Posteriormente, muitos desses conteúdos foram apagados, numa tentativa de evitar responsabilizações e reescrever os fatos. Na contramão desse processo, a exposição resulta de uma pesquisa dedicada ao arquivamento de imagens e vídeos que circularam nas mídias digitais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. Preservado como parte de um esforço sistemático de documentação, esse material é apresentado pela primeira vez no Centro de Artes da UFF.
Para o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, "realizar uma exposição inédita sobre o 8 de Janeiro no Centro de Artes da UFF é uma demonstração da nossa missão institucional como guardiã da democracia e do pensamento crítico. Esta mostra traz à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a fragilidade da memória em tempos de plataformas digitais. Ao articular dados, arte e tecnologia, nossa universidade se consolida como um espaço ativo de reflexão, onde a justiça de transição e a cidadania são debatidas para garantir que o passado não seja silenciado, mas sim compreendido para protegermos o futuro".
A leitura do acervo permite reconhecer a emergência de forças que, embora muitas vezes atuem de forma silenciosa e marginal, tornaram-se visíveis de maneira explícita nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Ideias autoritárias, discursos antidemocráticos e práticas de violência política, que por décadas circularam em camadas subterrâneas da sociedade brasileira, vieram à tona sem disfarces, ocupando praças, prédios institucionais e as próprias redes digitais. A exposição convida o público a olhar para essas camadas expostas não como exceção, mas como expressão de um problema histórico que atravessa o país e insiste em reaparecer quando não é enfrentado.
Para o professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e Pesquisador Associado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais da UFF (INCT/DSI), que coordena a curadoria da exposição, Marcelo Alves, “Subterrâneos a céu aberto traduz para uma linguagem de expressão artística um trabalho de pesquisa, realizado desde o final de 2022 até 2025, de preservação de vídeos e imagens das plataformas digitais que foram utilizados para mobilizar os atos em favor de uma tentativa de intervenção militar. Trata-se de um projeto voltado para a preservação de um acervo de mais de um milhão de publicações desse período, com imagens que foram removidas das plataformas digitais a partir de ações das próprias pessoas, que buscavam evitar responsabilizações jurídicas”.
A exposição é estruturada em quatro ambientes distintos, que se articulam com três obras de artistas convidados, integradas ao espaço de forma a ampliar as possibilidades de leitura e vivência da mostra. Os quatro ambientes — labirinto, mosaico, acampamentos e caverna — compõem um conjunto aberto, no qual o visitante é convidado a circular livremente, construindo seu próprio trajeto e estabelecendo relações entre os ambientes, as obras e os temas propostos.
As obras dos artistas convidados funcionam como um segundo eixo narrativo – zonas de respiro poético que tensionam e expandem os sentidos propostos pela pesquisa exposta. Todas elas trazem em si elementos da bandeira nacional – símbolo apropriado pela extrema direita e muito presente entre os golpistas nas ações do dia 8 de janeiro de 2023. Contudo, nas obras apresentadas, a bandeira surge para apontar os desafios sociais que marcam o país. Assim, ao contrapor estes usos antagônicos do mesmo símbolo – de um lado, sua instrumentalização para a defesa de pautas antidemocráticas; de outro, chamando atenção para as desigualdades estruturais –, busca-se estimular a reflexão sobre o que ainda precisa ser enfrentado para o fortalecimento da democracia no país.
Ainda segundo Macelo Alves, “todo esse trabalho de documentação tem um foco na pesquisa acadêmica, com a composição de redes que possibilitem a outros pesquisadores se debruçarem sobre esse material posteriormente; além disso, a exposição constrói uma experiência estética em torno da exploração da percepção de mundo das pessoas envolvidas nos atos de destruição, de cunho antidemocrático”.
A curadoria foi realizada pelo Condado Lab – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Dados e Tecnologia da PUC-Rio, sob coordenação do pesquisador Marcelo Alves, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT/DSI) e do Instituto Democracia em Xeque. A exposição reafirma o papel da pesquisa acadêmica na documentação de acontecimentos recentes e na reflexão pública sobre seus significados.
SERVIÇO:
Abertura: 31/03/2026 às 18h - Entrada gratuita
Visitação de 31/03 a 10/05/26
Segunda a sexta, das 10h às 21h
Sábados e domingos, das 13h às 21h
Galeria de Arte UFF Leuna Guimarães dos Santos
Centro de Artes UFF
Rua Miguel de Frias, 9 - Icaraí, Niterói - RJ
Visitação de 31/03 a 10/05/26
Segunda a sexta, das 10h às 21h
Sábados e domingos, das 13h às 21h
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Centro de Artes UFF
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