Publicado 30/03/2026 12:43 | Atualizado 30/03/2026 12:44
Niterói - O multiartista Alex Frechette abre, no próximo sábado (4), no Espaço Cultural Correios, a exposição individual Livro Kelppra - que reúne 11 telas, que se relacionam com 11 músicas. Na ocasião, Alex fará um pocket show com algumas delas, ao vivo, e será acompanhado por Guidi Vieira (da banda Pic Nic) e o cantor e compositor Marco Homobono (integrante do Los Djangos). "São pinturas que falam sobre inteligência artificial, redes sociais e novas tecnologias", diz ele.
Publicidade"Livro Kelppra é um projeto que une música e pintura para refletir sobre as transformações trazidas pelas tecnologias digitais. O trabalho assume um olhar crítico e distópico sobre temas como inteligência artificial, redes sociais e a mercantilização da criatividade, questionando como essas inovações moldam as relações humanas, os desejos e as subjetividades contemporâneas", explica o artista.
As obras, carregadas de simbolismos da cultura pop e da linguagem visual contemporânea, revelam o impacto das tecnologias nas formas de produção cultural, na construção de identidades e na consolidação de novas subjetividades, tensionadas entre a autonomia criativa e o controle sistêmico. Por meio de 11 pinturas e 11 músicas interligadas, Livro Kelppra propõe um diálogo direto entre som e imagem, abordando as contradições e os impactos sociais da era digital, onde a tecnologia muitas vezes amplifica desigualdades, alienação e perda de autonomia criativa. Mais do que uma exposição de arte, Livro Kelppra se apresenta como um espaço de interrogação e resistência, onde música e pintura se articulam como estratégias artísticas e políticas para desconstruir as promessas ilusórias da era digital.
Texto crítico de Fabiana Castelo
A obra de Alex Frechette tem esse caráter revelador, como uma antena atenta aos discursos que atravessam a vida na nossa contemporaneidade.
A obra de Alex Frechette tem esse caráter revelador, como uma antena atenta aos discursos que atravessam a vida na nossa contemporaneidade.
Em “Livro Kelppra”, a escolha da expressão artística caracterizada na pop arte, expõe a urgência de um olhar crítico aos signos fugazes que flutuam nos ambientes virtuais, e nos convida a olhar, e olhar de novo para os processos de mudança que vem sendo conduzidos com o advento das tecnologias digitais. Suas imagens produzidas a partir da composição álbum homônimo, buscam a articulação com outras artes visuais e a comunicação, além do olhar para o papel da “inteligência artificial” na mercantilização da criatividade humana.
Como quem abre a caixa de Pandora e revela a coletiva busca desenfreada pela visibilidade, mesmo que ilusória “ele tem agora uma fazenda de cliques nunca mais será flopado”, Alex conduz um caminho reflexivo. Entre as 11 telas expostas, a visibilidade nos ambientes virtuais assume aqui um domínio sobre o existir, como nos discursos “anteprótese do Deus morto”, “quem é você na fila do pão?”, ou “respirar onipresença”. Associada a atividade de trabalho, a visibilidade nas redes surge como meio de submissão com a meta de ganhar dinheiro ou moedas virtuais. Atento ao terreno fértil para observação do fenômeno do advento das tecnologias digitais, e ciente de que a população brasileira se destaca da média mundial de uso dessas redes chegando a 9 horas diárias em 2024, “Livro Kelppra” revela os efeitos da exploração. As perguntas “onde estão seus gurus? e os acadêmicos do Leblon?” junto às referências do BBB, como o grande olho que tudo vê e tem ciência desse domínio privado das expectativas de existir, Alex nos faz refletir como num convite a pensar outro meio de existência.
O desafio de falar do trabalho de um artista tão atual como Alex Frechette chegou para mim como um abraço, um acolhimento profundo das angústias que compartilho vivendo esse tempo histórico e pisando esse chão do país em que vivemos. Como quem contribui para o processo de construção de sentidos coletivos, o verdadeiro papel dos educadores, “Livro Kelppra” revela a dor da exploração e os limites da ilusão. Operando com o conceito do visível, esta obra deixa escorrer em seus detalhes o pavor profundo do isolamento, nos convidando a pensar em nossas expectativas e sonhos comuns, em oposição à “meta”.
“A arte não cria mudança, ela revela seu tempo” (Martha Graham)
SERVIÇO:
Exposição Livro Kelppra - abertura: sábado, 04/04, 15h
Visitação até: 06/06. Seg a sex. 11 às 18h. Sáb e dom. 13 às 17h
Local: Espaço Cultural Correios Niterói. Grátis
Endereço: Avenida Rio Branco, 481, Centro, Niterói
Visitação até: 06/06. Seg a sex. 11 às 18h. Sáb e dom. 13 às 17h
Local: Espaço Cultural Correios Niterói. Grátis
Endereço: Avenida Rio Branco, 481, Centro, Niterói
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