Publicado 07/04/2026 07:52
Niterói - A Oficina Nossa, iniciativa comunitária do Morro do Palácio, em Niterói, foi selecionada no Prêmio Periferia Viva 2025, promovido pela Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades. Nesta terceira edição, o prêmio teve 2.540 inscrições em todo o país e reconheceu 178 projetos, sendo 150 iniciativas populares, 25 assessorias técnicas e três entes públicos. A Oficina Nossa está entre as selecionadas no eixo de iniciativas populares.
A premiação foi entregue durante o 1º Encontro Nacional de Periferias, realizado em São Paulo pela Secretaria Nacional de Periferias. O evento reuniu cerca de mil representantes de 350 favelas e comunidades urbanas de todo o Brasil e teve como eixos a cerimônia do prêmio, o lançamento do Raio-X das Iniciativas Periféricas e debates sobre as condições de atuação dos coletivos que constroem soluções concretas nos territórios populares.
A trajetória da Oficina Nossa ajuda a explicar a força desse reconhecimento. O projeto nasceu no período pós-pandemia, quando a educadora e moradora do território Walkiria Nictheroy percebeu um problema urgente. Com as escolas fechadas, sem estrutura para ensino remoto e com acesso precário à internet, muitas crianças da favela estavam fora da rotina escolar e acumulando defasagens de aprendizagem. Foi a partir dessa realidade que ela começou a organizar, com apoio de uma rede de voluntários e da universidade, um espaço de reforço, cuidado e convivência dentro do próprio morro.
O relato de Walkiria sintetiza esse começo com força e delicadeza. A educadora afirmou que há seis anos só queria oferecer um espaço de aprendizagem seguro para as crianças da sua favela, com o desejo de que elas tivessem a oportunidade de aprender com referências na própria cultura e aprendendo a se amar.
A Oficina começou de forma simples, no salão de festas da comunidade, porque era o espaço possível naquele momento. Depois, seguiu sua trajetória em outros pontos do território, ampliando sua estrutura e sua capacidade de atendimento. Em 2023, a iniciativa passou a funcionar em um equipamento público localizado na comunidade , onde ganhou melhores condições físicas e ampliou suas atividades. Em materiais do próprio projeto, a Oficina Nossa é apresentada como uma ação fundada em 2022, no Morro do Palácio, voltada ao enfrentamento da distorção idade-série e da defasagem de aprendizagem agravadas pelo ensino remoto na pandemia.
Também em 2023, o projeto passou a desenvolver parceria com a Universidade Federal Fluminense, por meio do projeto de extensão “UFF-Comunidades: um estudo sobre conexões entre sujeitos sociais, conflitos e os impactos coletivos”, mobilizado pelo INEAC-UFF. Segundo artigo acadêmico sobre a experiência da Oficina Nossa, as ações dessa parceria começaram em abril de 2023 e se organizaram em cinco eixos, entre eles arte, educação e juventude, memória e identidades, e organização comunitária e divulgação científica.
Ao longo desse percurso, a Oficina Nossa deixou de ser apenas uma resposta emergencial à defasagem escolar e se consolidou como uma iniciativa de formação integral. O projeto articula reforço escolar, arte, atividades culturais e construção de pertencimento. Mais do que melhorar o desempenho das crianças, a proposta trabalha com a valorização da memória coletiva do Morro do Palácio e com o direito de crianças periféricas aprenderem a partir de referências próximas de sua própria realidade.
Esse aspecto também dialoga com o sentido político do prêmio. De acordo com o Ministério das Cidades, o Prêmio Periferia Viva foi criado para reconhecer e fortalecer iniciativas periféricas que transformam as comunidades, atuando no enfrentamento das desigualdades e no desenvolvimento social. Em 2025, o tema da edição foi “Periferia Viva é Construção Coletiva”.
Hoje, a Oficina Nossa segue sua caminhada em um espaço de base comunitária voltado ao acolhimento, ao apoio cotidiano e à organização do cuidado no território. É desse chão concreto, onde a favela aprende a se sustentar e a se fortalecer de dentro para fora diante da ausência histórica do poder público, que o projeto continua crescendo.
A seleção no Prêmio Periferia Viva 2025 reconhece exatamente isso: uma iniciativa que nasceu da urgência, da escuta e da responsabilidade de uma moradora com as crianças do seu território e que se transformou em referência local de educação, afeto e pertencimento.
A educadora declarou que na pandemia, de máscaras, com medo e sem nada, eles só sabiam que não podiam deixar a favela para trás. A frase de Walkiria não resume apenas a origem da Oficina Nossa, ela ajuda a explicar por que esse projeto importa tanto para o Morro do Palácio, para Niterói e para o debate nacional sobre o direito à cidade, à educação e à dignidade nas periferias. Hoje, a Oficina Nossa atua no espaço da ONG A Base Cultural do Palácio.
Quem é Walkiria Nictheroy
PublicidadeA premiação foi entregue durante o 1º Encontro Nacional de Periferias, realizado em São Paulo pela Secretaria Nacional de Periferias. O evento reuniu cerca de mil representantes de 350 favelas e comunidades urbanas de todo o Brasil e teve como eixos a cerimônia do prêmio, o lançamento do Raio-X das Iniciativas Periféricas e debates sobre as condições de atuação dos coletivos que constroem soluções concretas nos territórios populares.
A trajetória da Oficina Nossa ajuda a explicar a força desse reconhecimento. O projeto nasceu no período pós-pandemia, quando a educadora e moradora do território Walkiria Nictheroy percebeu um problema urgente. Com as escolas fechadas, sem estrutura para ensino remoto e com acesso precário à internet, muitas crianças da favela estavam fora da rotina escolar e acumulando defasagens de aprendizagem. Foi a partir dessa realidade que ela começou a organizar, com apoio de uma rede de voluntários e da universidade, um espaço de reforço, cuidado e convivência dentro do próprio morro.
O relato de Walkiria sintetiza esse começo com força e delicadeza. A educadora afirmou que há seis anos só queria oferecer um espaço de aprendizagem seguro para as crianças da sua favela, com o desejo de que elas tivessem a oportunidade de aprender com referências na própria cultura e aprendendo a se amar.
A Oficina começou de forma simples, no salão de festas da comunidade, porque era o espaço possível naquele momento. Depois, seguiu sua trajetória em outros pontos do território, ampliando sua estrutura e sua capacidade de atendimento. Em 2023, a iniciativa passou a funcionar em um equipamento público localizado na comunidade , onde ganhou melhores condições físicas e ampliou suas atividades. Em materiais do próprio projeto, a Oficina Nossa é apresentada como uma ação fundada em 2022, no Morro do Palácio, voltada ao enfrentamento da distorção idade-série e da defasagem de aprendizagem agravadas pelo ensino remoto na pandemia.
Também em 2023, o projeto passou a desenvolver parceria com a Universidade Federal Fluminense, por meio do projeto de extensão “UFF-Comunidades: um estudo sobre conexões entre sujeitos sociais, conflitos e os impactos coletivos”, mobilizado pelo INEAC-UFF. Segundo artigo acadêmico sobre a experiência da Oficina Nossa, as ações dessa parceria começaram em abril de 2023 e se organizaram em cinco eixos, entre eles arte, educação e juventude, memória e identidades, e organização comunitária e divulgação científica.
Ao longo desse percurso, a Oficina Nossa deixou de ser apenas uma resposta emergencial à defasagem escolar e se consolidou como uma iniciativa de formação integral. O projeto articula reforço escolar, arte, atividades culturais e construção de pertencimento. Mais do que melhorar o desempenho das crianças, a proposta trabalha com a valorização da memória coletiva do Morro do Palácio e com o direito de crianças periféricas aprenderem a partir de referências próximas de sua própria realidade.
Esse aspecto também dialoga com o sentido político do prêmio. De acordo com o Ministério das Cidades, o Prêmio Periferia Viva foi criado para reconhecer e fortalecer iniciativas periféricas que transformam as comunidades, atuando no enfrentamento das desigualdades e no desenvolvimento social. Em 2025, o tema da edição foi “Periferia Viva é Construção Coletiva”.
Hoje, a Oficina Nossa segue sua caminhada em um espaço de base comunitária voltado ao acolhimento, ao apoio cotidiano e à organização do cuidado no território. É desse chão concreto, onde a favela aprende a se sustentar e a se fortalecer de dentro para fora diante da ausência histórica do poder público, que o projeto continua crescendo.
A seleção no Prêmio Periferia Viva 2025 reconhece exatamente isso: uma iniciativa que nasceu da urgência, da escuta e da responsabilidade de uma moradora com as crianças do seu território e que se transformou em referência local de educação, afeto e pertencimento.
A educadora declarou que na pandemia, de máscaras, com medo e sem nada, eles só sabiam que não podiam deixar a favela para trás. A frase de Walkiria não resume apenas a origem da Oficina Nossa, ela ajuda a explicar por que esse projeto importa tanto para o Morro do Palácio, para Niterói e para o debate nacional sobre o direito à cidade, à educação e à dignidade nas periferias. Hoje, a Oficina Nossa atua no espaço da ONG A Base Cultural do Palácio.
Quem é Walkiria Nictheroy
Walkiria Nictheroy Oliveira é uma mulher preta, nascida em Niterói, com 32 anos de idade. A educadora, professora licenciada da rede municipal de Niterói. Militante a favor da educação pública de qualidade, ela é concluinte do curso de Pedagogia da Universidade Federal Fluminense (UFF), fundadora do Pré do Palácio, um pré-vestibular social ao lado de moradores da comunidade do Palácio, local onde também reside.
A sua militância que se inicia no movimento estudantil é ancorada na defesa sistemática dos direitos das minorias, no feminismo com bases marxistas, na garantia da cidadania plena a todos os cidadãos e na ocupação efetiva dos espaços de poder político pelo povo.
A sua militância que se inicia no movimento estudantil é ancorada na defesa sistemática dos direitos das minorias, no feminismo com bases marxistas, na garantia da cidadania plena a todos os cidadãos e na ocupação efetiva dos espaços de poder político pelo povo.
Indignada com o abandono estrutural da população do estado do Rio de Janeiro, Walkiria acredita e atua em um projeto de emancipação focado nas mulheres, nas pessoas negras, na comunidade LGBTI e nos trabalhadores. Por conta desse propósito, a educadora já se lançou como candidata a deputada estadual em 2018, com o objetivo de ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa (ALERJ). De 2021 s a 2022 cumpriu mandato legislativo como vereadora de Niterói. Em sua trajetória política mais recente, em campanha ao cargo de vereadora na cidade de Niterói pela Federação Brasil da Esperança (PCdoB/PT/PV), ela destacou a defesa irrestrita das universidades públicas e dos profissionais da educação, exigindo mais investimentos diretos em formação, a valorização salarial da categoria e a ampliação das políticas de permanência e de assistência estudantil.
O escopo de atuação da educadora abrange também a defesa do acesso da juventude ao primeiro emprego, a garantia de condições de trabalho dignas nos programas de jovem aprendiz e o fomento por meio de parcerias institucionais para a geração de novas oportunidades. Walkiria defende fortemente a garantia dos direitos das mulheres, o incentivo constante para a contratação feminina no mercado de trabalho e o acesso das mulheres periféricas a serviços essenciais de saúde pública e segurança.
No que tange à segurança pública, Walkiria cobra a criação de um sistema integrado de inteligência capaz de garantir a preservação da vida do povo e da juventude periférica. Em seu manifesto político, ela afirma que a juventude não nasceu para o silêncio, mas para cantar, viver uma realidade justa e ocupar os espaços de decisão
O escopo de atuação da educadora abrange também a defesa do acesso da juventude ao primeiro emprego, a garantia de condições de trabalho dignas nos programas de jovem aprendiz e o fomento por meio de parcerias institucionais para a geração de novas oportunidades. Walkiria defende fortemente a garantia dos direitos das mulheres, o incentivo constante para a contratação feminina no mercado de trabalho e o acesso das mulheres periféricas a serviços essenciais de saúde pública e segurança.
No que tange à segurança pública, Walkiria cobra a criação de um sistema integrado de inteligência capaz de garantir a preservação da vida do povo e da juventude periférica. Em seu manifesto político, ela afirma que a juventude não nasceu para o silêncio, mas para cantar, viver uma realidade justa e ocupar os espaços de decisão
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