Niterói: a escritora Jeanne de Castro faz palestra e lança livro no SESCDivulgação
Publicado 25/04/2026 09:35
Niterói - Admirada por Ernesto Nazareth e Pixinguinha, a pianista pernambucana Tia Amélia deixou seu marido em Pernambuco quando veio, em 1930, para o Rio de Janeiro e dizia que era viúva, já que, no seu tempo, mulher só podia trabalhar se o cônjuge tivesse falecido. Essa e outras histórias ganharão os palcos de várias unidades do Sesc até 09 de maio, através da palestra “Tia Amélia – O piano e a vida da compositora”, que está sendo ministrada em 10 unidades do Sesc RJ por Jeanne de Castro, pesquisadora e biógrafa de Amélia Brandão.
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As palestras foram contempladas pelo edital Sesc Pulsar, na categoria lançamento de livro, Jeanne irá aproveitar para autografar o seu “Tia Amélia – o piano e a vida incrível da compositora”, lançado pela editora Tipografia Musical.

Literatura, História e Música - As palestras propõem um diálogo direto com o público. Jeanne compartilha as descobertas de sua pesquisa biográfica, revelando a personalidade vibrante de Tia Amélia, figura central para o choro e para a afirmação da mulher na música instrumental brasileira, e sua importância para o rádio e a televisão brasileira. Durante os encontros, a autora menciona as características técnicas e a “alegria percussiva” que tornaram a homenageada uma referência nacional. Mais do que uma atividade acadêmica ou musical, as palestras cumprem uma função social de resgate histórico de uma artista que sofreu apagamento. Embora Tia Amélia tenha sido uma das artistas mais populares de sua era, com presença na mídia e uma técnica que desafiava os padrões da época, sua contribuição foi sendo gradualmente silenciada pelos registros oficiais.
Em 1953, uma época em que todo mundo queria ser jovem, Amélia ganhou a alcunha de Tia Amélia depois que a cantora Carmélia Alves, a rainha do baião, a levou de Goiânia de volta ao Rio de Janeiro para retomar a carreira depois de um hiato. E Amélia cumpriu a promessa que fez a Ernesto Nazareth quando, ao vê-la tocar, ele falou: “Não deixe o choro morrer”. Faleceu em 1983 tocando ainda (seu último LP foi lançado em 1980, quando ela tinha 83 anos). O livro – que tem contracapa assinada por Ruy Castro – e as apresentações de Jeanne de Castro funcionam como um ato de reparação, retirando a compositora da nota de rodapé para devolvê-la ao seu lugar de direito: o de protagonista da cultura nacional e precursora fundamental para as gerações que a sucederam. As palestras são abertas ao público interessado em música, história do Brasil e biografias.

Sobre Jeanne de Castro - Escritora, produtora e pesquisadora, Jeanne de Castro tornou-se a principal voz na preservação do legado de Tia Amélia na atualidade. Seu livro de 2024 é considerado uma peça fundamental de resgate histórico, unindo rigor de pesquisa e uma narrativa envolvente. Através de seu trabalho, Jeanne reafirma o papel do piano como instrumento de resistência e identidade cultural.

SERVIÇO:
Data e Local: 09/maio, sábado – Sesc Niterói

Horário: 15h

Endereço: R. Padre Anchieta, 56 - São Domingos, Niterói
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