Publicado 27/04/2026 11:13
Niterói – O produtor cultural e diretor de jornais impressos – tabloides de música – Marcos Petrillo, faleceu no último domingo (26), em Palma, Minas Gerais. Em Niterói, Marcos criou e estabeleceu os jornais International Magazine e Jornal do Rock, nas décadas de 90 e 2000 – portanto, numa época pré-internet. Os jornais, ao lado da revista Bizz, da Editora Abril, e da MTV, eram as principais referências da indústria fonográfica e do show bis à época. Também eram plataformas de lançamento de novos jornalistas e bandas de rock, além de promoverem entrevistas que se aprofundavam nas histórias dos artistas – para a alegria de fãs e leitores.
Publicidade“Marcos Petrillo foi um daqueles profissionais visionários e sempre a frente do seu tempo. Realizou o Festival de Rock de Juiz de Fora nos anos 80, levando Raul Seixas até Minas, pela primeira vez. Acompanhava a cena da música nacional e internacional com a mesma empolgação e entusiasmo, por anos, inclusive sempre se reciclando. Trabalhou com Maria Juçá no Jornal do Brasil e no Circo Voador, foi o idealizador e editor chefe do jornal International Magazine, quando convidou Helio Fernandes Filho, do jornal Tribuna da Imprensa, para ser seu sócio e imprimir os jornais. Começou a distribuir pela Fernando Chinaglia, famosa distribuidora que só trabalhava com jornais e revistas de grandes editoras. Isso fez o alcance nacional do jornal Magazine aumentar muito, virando referência para a indústria fonográfica e o show bis nacional. Os jornais traziam anúncios de lançamentos de discos e grandes entrevistas com celebridades, mas não deixava de olhar pelas novas bandas que surgiam – como The Cinics, Papai Noel Tomou Ácido, Rogério Skylab, Raimundos, Mamonas Assassinas, Planet Hemp, Pato Fu e tantos outros. Petrillo já faz muita falta, deve ser sempre celebrado”, explicou o jornalista Leonardo Rivera, que foi repórter e colunista do International Magazine entre 1994 e 1996.
O jornalista e biógrafo do Planet Hemp, o niteroiense Pedro de Luna, lamentou o falecimento de Petrillo. “Estou triste com a partida do meu querido amigo Marcos Petrillo. Mesmo com tanta dor no peito, eu prefiro me lembrar com alegria da sua história vitoriosa. Graças ao jornal dele comecei a fazer cobertura de festivais pelo Brasil. Os dois primeiros foram o Porão do Rock (DF) e o Abril Pro Rock (PE), ambos em 1998, seguido pelo Dia D (ES) e o MADA (RN). Ao mudar para SP, continuei como colaborador e correspondente”, e publicou em sua rede social uma biografia do editor.
A locutora niteroiense Moniquinha Venerabile, uma das grandes vozes de incentivo ao rock nacional, lamentou a morte de Marcos Petrillo. “Uma bela vida. Trajetória excepcional, um cara que veio pra sacudir a cena. Vai fazer falta no mundo rock’n’roll e nos porões da Música Pop Brasileira, puxa que pena. Passou um filme na minha mente. Que ele siga tranquilão , caminhe de volta pra casa, na luz que tanto promoveu para nós todos aqui”, escreveu ela.
SOBRE MARCOS PETRILLO
Marcos nasceu em Palma (MG) no dia 8/4/1959, mas foi em Juiz de Fora que ele iniciou a sua carreira como jornalista e produtor de eventos. Editava a revista Bizzu e morava numa república quando a namorada Sandra engravidou. Mudaram-se então para Niterói, onde moravam os sogros do agitador cultural, e o casaram na igrejinha de São Francisco. A Juliana nasceu em novembro de 1982, quando Petrillo tinha 23 anos de idade.
Morando em Nikiti, o mineiro começou a trabalhar no Circo Voador, onde realizava os shows de rock às quintas-feiras. Conhecendo os artistas e seus empresários, Petrillo criou um festival de rock em Juiz de Fora. A primeira edição, em 1983, levou à cidade nomes como Erasmo Carlos, Raul Seixas, Barão vermelho, Sangue da cidade, Coquetel Molotov, Olho Seco, 365, Cólera, Lobão e Rogério Skylab.
Do Circo o Marcos foi para a área de promoções do Jornal do Brasil, cuidando das bancas de rua. Em março de 1990, já com 30 anos, nasceu a segunda filha, Deborah. Criou o International Magazine e o jornal era mensal ficou conhecido por encartar CDs nas edições, na maioria das vezes singles promocionais das gravadoras.
Em 2002 realizou em Palma (MG), o Green Rock Festival – e levou ao palco Raimundos, Nação Zumbi, Dead Fish e até o Sepultura pra tocar em sua cidade natal. Em 2003, junto com um baita time, Petrillo criou o Jornal do Rock, do qual Pedro de Luna foi o subeditor e quadrinista.
“Quando ele adoeceu e separou-se da Sandra, foi morar em Palma. Em 2020, comecei a escrever um livro sobre ele, que infelizmente não foi adiante. Ainda assim, o seu legado foi reconhecido. Em 2022, ganhou uma moção da Câmara de Vereadores de Juiz de Fora. Em 2024, ele assistiu a primeira sessão do documentário “Bizzu”, dirigido por Kitty Kiefer e Alex Aguiar. Em 26/4/2026, Marcos Petrillo regressou à pátria espiritual. A ele a minha eterna gratidão, carinho e amizade”, escreveu o jornalista Pedro de Luna.
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