Niterói: obra detalha o enfrentamento às milícias e as engrenagens da criminalidade infiltrada no Estado Divulgação
Publicado 06/05/2026 11:49
Niterói - O ex-deputado e Marcelo Freixo lança, na próxima quinta (07), o livro “Viver é Perigoso – Minha Travessia no Rio”, uma autobiografia que percorre sua trajetória pessoal e política e oferece um retrato contundente do Rio de Janeiro nas últimas duas décadas. A obra será lançada às 18h, no auditório do bloco P do campus da UFF Gragoatá, e faz um mergulho profundo nas últimas duas décadas da história do Rio de Janeiro, expondo as raízes e a expansão do crime organizado nas estruturas de poder do estado. O ator Wagner Moura assina o prefácio.

“Viver é Perigoso é um livro que trata de um Rio de Janeiro mais profundo, que não está no cartão postal. Ele trata do Escritório do Crime, da morte da Marielle, das organizações criminosas que hoje tomam conta do nosso Rio e dos desafios que teremos para não deixar estas organizações tomarem conta do estado. É um livro de amor ao Rio, mas que apresenta os principais desafios para tornar nosso estado um lugar melhor para a gente viver”, disse Marcelo Freixo.

A narrativa propõe uma reflexão sobre o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil. Freixo revisita sua origem na periferia de Niterói, sua história na UFF, a atuação como professor e ativista de direitos humanos e sua trajetória parlamentar marcada pelo enfrentamento a estruturas criminosas que operam na política e na economia do estado. O resultado é um relato pessoal que se entrelaça com a própria história contemporânea do Rio, uma cidade de contrastes, onde cultura, política e violência convivem em tensão permanente. Com o objetivo de desvendar a simbiose entre o crime, polícia e política, o livro expõe os bastidores das investigações que confrontaram autoridades e grupos paramilitares, demonstrando como a luta pela democracia e pela segurança pública no estado exige embates e riscos extremos de seus protagonistas.

O avanço das milícias e a resistência no parlamento

Desde seus tempos como professor de História e mediador de conflitos em motins no sistema penitenciário, Freixo narra como a violência estrutural se fortaleceu no Rio de Janeiro. Contudo, o grande destaque da obra recai sobre a sua atuação investigativa no parlamento, período em que liderou frentes decisivas contra as máfias que dominam territórios.

O autor relembra a tensão de ter presidido a histórica CPI das Milícias, cujos desdobramentos marcariam para sempre a sua carreira política e a sua própria vida. O livro relata como se estruturam os grupos criminosos, que visavam lucros milionários por meio de loteamentos ilegais e monopólio de serviços básicos, operando com a conivência de agentes que deveriam combatê-los.

A memória de Marielle Franco e os riscos da vida pública

Em passagens contundentes, Freixo resgata a memória de Marielle Franco, vereadora e ex-assessora de seu gabinete assassinada em março de 2018. Ao descrever a sensação de acompanhar o julgamento dos assassinos de Marielle, o autor expõe o choque de ouvir, perante o tribunal, que a sua própria execução havia sido a primeira encomenda feita pelos mandantes do crime aos pistoleiros.

Apoiando-se na célebre reflexão de João Guimarães Rosa de que "viver é muito perigoso", a autobiografia constrói uma narrativa de resiliência. "O perigo pode dar sentido à vida, não necessariamente ligada ao medo", escreve Freixo. Ele conclui que "o medo nos humaniza, mas não deve nos paralisar. Precisamos estar dispostos a escolher riscos para a vida ganhar direção".

O lançamento de "Viver é Perigoso" apresenta-se como um documento indispensável para quem deseja compreender a engrenagem política e criminal do Rio de Janeiro. A obra convida o público a conhecer as pressões e as estratégias de sobrevivência de um homem que transformou o próprio medo em combustível para lutar por justiça.

Serviço
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Livro: Viver é Perigoso: minha travessia no Rio
Autor: Marcelo Freixo (com Bruno Paes Manso)
Editora: Planeta do Brasil
Lançamento: Dia 07/05 às 18h na UFF Gragoatá (Auditório do Bloco P)
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