Niterói: "O Congresso acelera a votação enquanto o apoio está em retração e condicionado", afirma Sandro PietrobelliDivulgação
Publicado 27/05/2026 08:16
Niterói - Nova pesquisa AtlasIntel, recém realizada, mostra a opinião sobrea proposta e afirma que a maioria das pessoas ouvidas na pesquisa diz esperar que o Congresso vote a proposta com estudos sobre os impactos. A nova pesquisa nacional AtlasIntel em parceria com o jornal A Tarde mostra que o apoio popular ao fim da escala 6x1 segue em queda.
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Os dados reforçam um movimento consistente de desgaste observado nas últimas semanas e indicam descompasso entre a pressa no Congresso e a evolução da opinião pública. O levantamento mais recente aponta que 56,2% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1. O número ainda representa a maioria. Em março deste ano, pesquisas registravam apoio de até 73%, na pesquisa Datafolha feita em março. Esse patamar caiu gradualmente para cerca de 64% no início de maio, no mesmo instituto de pesquisa.
A trajetória mostra que a proposta perde força. No fim de abril, a própria AtlasIntel já havia captado esse movimento, com apoio de 59,4%, indicando que o entusiasmo inicial não se sustenta quando a discussão passa a incorporar possíveis impactos econômicos.
Os dados mais recentes ajudam a explicar essa mudança. Entre os brasileiros que hoje se declaram favoráveis ao fim da escala 6x1, apenas metade manteria essa posição caso a medida provoque aumento de preços, desemprego ou fechamento de empresas. Uma parcela relevante afirma que pode rever sua posição diante desses efeitos, revelando que a maioria atual é instável e sujeita a rápida reversão.
Para o presidente da Abrasel Leste Fluminense-RJ, Sandro Pietrobelli, os dados mostram que a sociedade está avançando no debate e passando a fazer perguntas mais concretas sobre a proposta. “Gradativamente as pessoas começam a compreender os impactos, deixam de olhar só para o benefício imediato e passam a se perguntar quem paga essa conta e como os serviços vão funcionar”, afirma. Ele também destaca que há um desalinhamento entre o ritmo da política e o da opinião pública. “O Congresso acelera a votação enquanto o apoio está em retração e condicionado. Esse não é um tema que comporta decisões rápidas sem que a sociedade compreenda plenamente as consequências. Os próprios dados mostram que, quando os impactos são apresentados, o apoio diminui de forma significativa".
Outro fator que pesa na queda do apoio é a resistência dos próprios consumidores. A maioria dos brasileiros afirma que não está disposta a pagar mais caro por produtos e serviços em troca de jornadas menores. Na prática, isso reforça a percepção de que a conta da mudança recairá sobre o consumidor final, contribuindo para a perda de apoio automático à proposta.
A pesquisa também indica que a população prefere cautela. A maioria (53%) defende que mudanças na jornada de trabalho sejam aprovadas apenas após estudos de impacto econômico. Além disso, prevalece a visão de que, se a medida for aprovada, deve haver uma transição gradual e mecanismos de adaptação para diferentes setores.
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