Publicado 28/05/2026 09:50
Niterói - Os biomarcadores são substâncias encontradas em nosso sangue ou na urina e que podem ser utilizados para o diagnóstico de doenças. No “De Olho na Pesquisa” desse mês, o pesquisador Humberto Villacorta, professor de cardiologia da Universidade Federal Fluminense e médico do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF), fala sobre uma linha de estudo que investiga o biomarcador GDF-15 (Growth Differentiation Factor 15) como indicativo de alterações cardiovasculares.
Publicidade“A minha linha de pesquisa é a área de insuficiência cardíaca, que é uma situação em que o coração cresce e aumenta de tamanho, fica fraco e dá sintomas como falta de ar e inchaço nas pernas. E dentro das doenças do coração eu estudo biomarcadores cardíacos, que são substâncias que a gente dosa no sangue ou na urina, e que fornecem informações para diagnósticos e prognósticos, ou seja, estabelecer o risco de morte ou de hospitalização de uma determinada doença”, explica o pesquisador.
Humberto Villacorta conta que entre os biomarcadores mais comuns encontrados no sangue estão os peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) e as troponinas. Porém, mais recentemente, o fator de crescimento de diferenciação, o GDF-15, vem ganhando destaque nas pesquisas ao redor do mundo. O GDF-15 é uma citocina, um componente celular protetor, que tem função anti-inflamatório.
“Sabemos que, quando o biomarcador GDF-15 está alto, indica pior prognóstico, mas em algumas situações pode atuar como proteção do organismo. Em condições normais, ninguém produz grandes quantidades da molécula, a não ser na placenta de mulheres grávidas”, afirma o professor.
Junto com alunos de mestrado e doutorado, foram realizadas pesquisas com aos pacientes do ambulatório de cardiologia do Huap-UFF e, em todas elas, foi constatado que os níveis de GDF-15 estavam aumentados em pacientes com fibrilação atrial (um tipo de arritmia do coração), e os com problemas renais.
“A fibrilação atrial pode aumentar a hospitalização de pacientes com insuficiência cardíaca, e procuramos saber se o GDF-15 acrescentava informações sobre isso. E fizemos, ainda, análise do biomarcador peptídeo natriurético, que é o biomarcador de excelência, e concluímos que, quando os dois biomarcadores estavam elevados, o prognóstico do paciente era pior do que se só um deles estivesse elevado”, pontua.
No caso da fibrilação atrial, o prognóstico apontou para morte cardiovascular, hospitalização e aumento do risco de AVC e sangramento nos pacientes. Os estudos foram publicados no Journal of Cardiac Failure, no American Heart Journal Plus e no Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Trajetória de pesquisa e assistência
Humberto Villacorta ingressou como médico do Huap em 1995 e, desde 2010, é professor da Universidade Federal Fluminense desde 2010. No entanto, o interesse pela área acadêmica surgiu desde a graduação: “Desde criança, eu sempre tive uma curiosidade pela ciência, eu já sabia que queria ser médico. Na graduação, já era claro para mim que eu queria estar ligado a uma universidade. Fiz minha formação em cardiologia, e em 1993 vim para o Rio, ingressando como médico da unidade coronariana em 95. Desde então, sempre trabalhei orientando os alunos, publicando, até que em 2010 surgiu a oportunidade de ingressar como professor”.
Para o pesquisador, o ensino em saúde e a assistência são indissociáveis. “Você pode assistir quantas aulas teóricas quiser, mas você tem que estar com o paciente na sua frente, então a minha prática sempre foi integrada. É nos pacientes do ambulatório de insuficiência cardíaca, que eu coordeno há 27 anos no Huap, que aplicamos as teses e dissertações, e a pesquisa tem que ter um objetivo, que é o de beneficiar a sociedade”, conclui.
Sobre a HU Brasil
O Huap-UFF faz parte da HU Brasil desde 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
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