Publicado 17/07/2026 11:00
Niterói - Em um ambiente que deveria ser de alegria, azaração e descontração para a juventude de Icaraí, surgem novas modalidades de um duro golpe, já conhecido e que, de tempos em tempos, reaparece nas noites da cidade. Misoginia e golpes conhecidos como 'Boa Noite, Cinderela' já são motivos de denúncias por frequentadores de diversas idades, em especial os mais jovens. As vítimas, por medo de represálias e por receio em se expor publicamente, não serão identificadas nesta matéria.
PublicidadeCLIMA DE COMEMORAÇÃO
Após o jogo Brasil X Japão da Copa do Mundo 2026, numa segunda-feira atípica, o Brasil saiu vitorioso e muita gente foi comemorar no Polo Gastronômico da rua Leandro Motta, em Icaraí. Muito conhecido por reunir famílias, confraternizações de aniversários e muitos jovens, o local costuma ser um espaço de lazer seguro para as celebrações. Porém, uma vítima do 'Boa Noite, Cinderela' discorda e já sente medo ao frequentar o ambiente, que é próximo de sua casa.
"Sai com amigos jovens para um bar muito bom da região. Comemoramos e tomamos drinks. Mas, depois dali, fomos a outro bar próximo, frequentado por muitos adolescentes e ao lado de uma academia de ginástica. Infelizmente lá tomei um golpe de 253 reais cobrados indevidamente, após alguém ter colocado alguma coisa na minha bebida enquanto fui ao banheiro. Fiquei muito malz tropeçando e caindo. Se não fossem meus amigos me levarem até minha casa eu ia ficar jogado na rua", conta o consumidor, que nunca tinha passado por algo parecido naquele local. "Eu me sentia seguro, por se tratar de um bar próximo à minha casa, mas notei a má fé quando acordei no dia seguinte e vi a minha conta no banco. O dinheiro foi passado no débito comigo sedado por algum remédio pra dormir que me deixou com amnésia e poderia ter me matado", contou ele.
OFENSAS E ATAQUES MISÓGINOS
Outro caso que chamou a atenção da reportagem foi o relato da mãe de uma vítima, que explicou que sua filha estava na Leandro Motta com amigos e amigas. "Um cara passou por elas e chamou a amiga da minha filha de vagabunda, porque ela não quis ficar com ele. Daí minha filha se virou pra perguntar: 'você chamou minha amiga de quê?' e foi o suficiente para o cara jogar no seu rosto gelo, bebida e o copo, que bateu no queixo dela. Poderia ter sido muito mais grave. Agora ele está indiciado, porque ela fez o Boletim de Ocorrência na 77 DP (Icaraí)", disse a mãe.
COMO SE DEFENDER DOS GOLPES
Especialistas alertam que esses delitos se aproveitam da vulnerabilidade em ambientes de lazer, onde substâncias são adicionadas a bebidas para provocar desmaios e facilitar assaltos ou abusos. A polícia reforça que os casos vêm aumentando e recomenda atenção redobrada: nunca aceitar copos de desconhecidos, observar o preparo das bebidas e, sempre que possível, manter companhia de confiança.
Donos de estabelecimentos também têm sido pressionados a investir em campanhas de conscientização e treinamento de funcionários para identificar situações suspeitas. A pauta expõe não apenas a violência direta, mas também o machismo estrutural que sustenta tais práticas, transformando o lazer em cenário de risco. A mobilização da sociedade civil e das autoridades é vista como essencial para garantir que o polo gastronômico continue sendo espaço de convivência e não de ameaça.
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