Câmara Municipal pode abrir CPI da PrevidênciaDIvulgação
Publicado 10/07/2026 15:27 | Atualizado 10/07/2026 16:38
A Prefeitura de Nova Friburgo contestou a informação de que recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (Prev-For) tenham sido aplicados em um fundo ligado ao Banco Master. Em documento encaminhado após a publicação da reportagem, o Município afirma que a conclusão decorreu de uma interpretação equivocada dos registros oficiais dos investimentos.
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Segundo a administração municipal, os Demonstrativos das Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIR), documentos oficiais encaminhados ao Ministério da Previdência, mostram que os recursos foram aplicados no Meta Valor Fundo de Investimento em Ações, fundo de investimento administrado pelo Banco Daycoval S.A., e não em um produto vinculado ao Banco Master.
Para sustentar a posição, a Prefeitura apresentou um parecer técnico explicando que houve confusão entre o Meta Valor Fundo de Investimento em Ações e a MAM Asset Management. Conforme o documento, embora os nomes possam gerar interpretações equivocadas, tratam-se de instituições distintas, com cadastros, naturezas jurídicas e funções diferentes no mercado financeiro. Enquanto o Meta Valor é o fundo que recebeu a aplicação registrada nos DAIR, a MAM Asset Management é uma gestora de recursos.
A administração municipal afirma ainda que a documentação oficial não registra aplicações em fundo ligado ao Banco Master e solicitou a retificação dessa informação.
Entenda o caso
A discussão ocorre em meio à crise enfrentada pelo sistema previdenciário de Nova Friburgo. Na última semana, o vereador Marcos Marins (PSD) anunciou que pretende pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a gestão do Prev-For. Entre os pontos levantados estava a existência de aproximadamente R$ 1 milhão aplicado em um fundo que teria sofrido desvalorização, além de questionamentos sobre a condução dos investimentos e a transparência da administração do patrimônio previdenciário.
O debate também acontece poucos dias após a Prefeitura encaminhar à Câmara Municipal um projeto para equacionar o déficit atuarial do Prev-For, estimado oficialmente em R$ 409 milhões. A proposta prevê aportes anuais do Município até 2045 para reduzir o passivo previdenciário, que, segundo o estudo atuarial, poderá exigir desembolsos superiores a R$ 725 milhões ao longo das próximas duas décadas.
O que muda
Com o esclarecimento encaminhado pelo Município, a controvérsia deixa de ser a suposta relação entre o investimento do Prev-For e o Banco Master. Permanecem, entretanto, os questionamentos sobre a política de investimentos do instituto, a rentabilidade das aplicações realizadas, a eventual desvalorização de ativos, os critérios adotados para manutenção ou resgate dos investimentos e as responsabilidades pelas decisões tomadas ao longo dos últimos anos — temas que deverão continuar no centro do debate político e podem ser aprofundados caso a Câmara instale a CPI proposta pelo vereador Marcos Marins.
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