Publicado 22/07/2026 09:50
A tragédia que matou a personal trainer e professora Ariana Severo, de 37 anos, atropelada por um motociclista que fazia manobras perigosas, no dia 29 de junho, Nova Friburgo, motivou o deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ) a apresentar um projeto de lei que endurece drasticamente as punições para quem pratica malabarismo com motocicletas nas vias públicas do país.
PublicidadeO caso de Ariana chocou moradores da região serrana fluminense. Segundo testemunhas, ela foi atingida quando o condutor de uma moto realizava manobras em alta velocidade, perdendo o controle do veículo. A morte da professora se tornou um símbolo do risco que a prática, conhecida como "grau", representa para pedestres, ciclistas, motoristas e os próprios motociclistas.
"Vias públicas são espaços de convivência e segurança, não palcos para exibições ilegais que ameaçam vidas. A morte da professora é um exemplo trágico e revoltante do que essa imprudência pode causar. A 'Lei do Grau' é uma resposta proporcional a uma prática que tem se tornado uma verdadeira epidemia nas ruas brasileiras. Precisamos proteger motoristas, pedestres, ciclistas e os demais motociclistas dos que estão dispostos a colocar a vida de todos em perigo com condutas irresponsáveis", afirmou o deputado.
O projeto de lei 3.537/2026 altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e prevê multa multiplicada por dez, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e remoção imediata do veículo ao depósito. Em caso de reincidência dentro de 12 meses, a multa dobra e há cassação da CNH. O proprietário do veículo também poderá ser responsabilizado quando este for utilizado por terceiro reincidente.
Na esfera penal, a proposta aumenta de um terço à metade as penas para condutas de malabarismo ou equilíbrio em uma roda que resultem em lesão ou morte. Na prática, uma pena que hoje varia de 3 a 6 anos de reclusão poderá chegar a até 9 anos. O texto também prevê a criação de campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos da prática.
Dados citados na justificativa do PL reforçam a urgência da medida: motocicletas, motonetas e ciclomotores já respondem por quase 40% das mortes no trânsito brasileiro, um salto expressivo em relação aos 3% registrados no final dos anos 1990. Acidentes com motos representam ainda cerca de 60% das internações por acidentes de trânsito no SUS, sobrecarregando a rede pública de saúde.
Para Hugo Leal "Cada vida perdida dessa forma é uma vida que poderia ter sido poupada com regras mais rígidas e fiscalização efetiva. É isso que buscamos com esse projeto", concluiu o parlamentar.
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