Publicado 14/02/2022 05:00
O ano passado marcou a política da Baixada Fluminense pelo alarmante número de crimes de morte envolvendo vereadores da região. Este quadro, que pode se agravar com a campanha deste ano, é preocupante. A região ao longo da Via Dutra, como do outro lado da baía, em São Gonçalo, teve no passado uma classe política relevante no Estado do Rio.
PublicidadeO município de Nilópolis, talvez, seja o menor da região e, no entanto, é o que possui os melhores serviços públicos. Deve esta posição à família Simão Sessim, dos falecidos deputados Simão – dez mandatos impecáveis em Brasília –, Jorge David, Nelson Abrão, Farid Abrão, Nelson Sessim, entre outros, na Assembleia. A família entrou na política pela UDN, partido de grandes nomes na época, como Carlos Lacerda e Brigadeiro Eduardo Gomes.
Em Caxias, também oriundo da UDN e ligado ao brigadeiro, que concorreu duas vezes para presidente, havia a figura lendária de Tenório Cavalcanti. Mais conhecido pelo seu apelo eleitoral por portar uma metralhadora que deu o nome de “Lurdinha”, no entanto, teve presença na Câmara dos Deputados e em importantes momentos da vida nacional.
Carlos Lacerda foi eleito governador da Guanabara por ter se candidatado e dividido a área popular com o candidato do PTB, numa criativa operação idealizada pelo empresário Antônio Carlos de Almeida Braga, conhecido como Braguinha. Fez do genro, Hydekel de Freitas, prefeito de Caxias e depois senador, como suplente de Afonso Arinos. Aliás, Tenório foi candidato a suplente de Célio Borja quando candidato ao Senado. UDN na veia.
Jorge Gama é outro nome com serviços prestados ao Estado assim no como o grande presidente da Assembleia Gilberto Rodriguez. Em Nova Iguaçu, o político relevante até os anos oitenta foi Getúlio Moura, prefeito, deputado federal e fiel escudeiro do líder fluminense Amaral Peixoto. O município muito deve à família do deputado Darcílio Ayres, sucedido pelo irmão Fabio Raunheitti, que deram à região a Universidade de Nova Iguaçu (UNIG) e seu hospital.
São Gonçalo, que foi importante centro industrial, sempre teve políticos de projeção. Hamilton Xavier, que foi deputado e vice-governador do Estado, dedicado ao líder Amaral Peixoto, formou um grupo de políticos no município que chegou a ser o de maior presença na Assembleia, com Zeyr Porto, Josias Ávila, Aécio Nanci, Jeremias Fontes, que foi federal, prefeito da cidade e governador, e federais como Osmar Leitão. O grande chefe local foi o prefeito Lavoura.
Como estes políticos nunca foram de esquerda, muito pelo contrário, estiveram cercados de preconceitos e lendas, que não encontraram eco nos eleitores. O antigo Estado do Rio deu ao Brasil o presidente Nilo Peçanha, senadores significativos como Miguel Couto Filho, Raul Fernandes, Paulo Torres, Roberto Saturnino, Vasconcellos Torres e, claro, o Comandante Amaral Peixoto. E deputados de dimensão nacional, como Raimundo Padilha, que foi governador.
A classe política Fluminense tem problemas, mas possui uma banda com espírito público e tradição. Os bons devem ser prestigiados e lembrados.
A classe política Fluminense tem problemas, mas possui uma banda com espírito público e tradição. Os bons devem ser prestigiados e lembrados.
Aristóteles Drummond é jornalista
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