Caroline AlvesDivulgação
Publicado 29/04/2025 00:00
O desenvolvimento científico no Estado do Rio de Janeiro tem se mostrado cada vez mais conectado com os desafios concretos da sociedade. Um exemplo emblemático é a evolução do Luminol, substância criada no Instituto de Química da UFRJ e, utilizada com grande eficácia pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na elucidação de crimes, principalmente homicídios. Agora, essa mesma tecnologia se prepara para dar um salto em direção à saúde pública: seu uso na identificação de resíduos hemáticos em ambientes hospitalares poderá se tornar uma poderosa ferramenta no combate à contaminação e às infecções hospitalares.

A inovação — fruto direto da pesquisa científica desenvolvida nas universidades públicas e apoiada com continuidade pela FAPERJ — acaba de atrair o interesse da empresa americana Belcher Pharmaceuticals. Com sede na Flórida, a empresa negocia o licenciamento da patente do Luminol com a Agência UFRJ de Inovação. O objetivo é claro: adaptar e internacionalizar uma tecnologia que, além de eficaz, é acessível, segura, e ambientalmente sustentável.

Esse processo só é possível graças à articulação entre academia, empresas e o apoio governamental. O investimento de R$ 4,5 milhões no licenciamento por parte da empresa privada assegura a continuidade da pesquisa e do aprimoramento da tecnologia, enquanto garante retorno financeiro para a universidade na forma de royalties. Mais importante que isso, representa a possibilidade real de impactar a vida de milhões de pessoas, reduzindo significativamente os riscos de infecções hospitalares.

É fundamental destacar que, sem o fomento contínuo da FAPERJ — uma política pública de investimento que se mantém sólida ao longo dos anos — esse projeto jamais teria saído do papel. A síntese do Luminol desenvolvida na UFRJ é considerada a melhor do mundo: tem alto rendimento, não gera resíduos tóxicos, e se mantém estável por até seis meses após aberto — uma vantagem significativa em relação aos produtos disponíveis no mercado internacional, que perdem eficácia em poucas horas.

Ao impulsionar uma tecnologia 100% nacional para além das fronteiras da ciência criminal, o Rio de Janeiro mostra sua capacidade de gerar soluções transformadoras que combinam excelência acadêmica, vocação empreendedora e impacto social. O uso do Luminol na saúde representa um avanço crucial no controle da higienização hospitalar e pode ajudar a reduzir os mais de 100 mil óbitos anuais por infecções em hospitais brasileiros.

Nosso compromisso, como gestores públicos da ciência e tecnologia, é seguir apoiando iniciativas como essa. Investir em pesquisa e inovação é investir em qualidade de vida, em segurança e no desenvolvimento sustentável do nosso estado e do nosso país. A ciência fluminense está pronta para transformar vidas — e continuará sendo uma aliada essencial da sociedade.
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Por Caroline Alves (Presidente da FAPERJ) e Anderson Moraes (Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro)
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