André EstevesDivulgação
Publicado 17/06/2025 00:00
Ainda no bojo das comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, ocorrido no último dia cinco de junho, é imprescindível refletir sobre o papel que cada um de nós, dos mais de oito bilhões de habitantes do Planeta Terra, tem tido em relação ao presente e ao futuro da sobrevivência humana.
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A máxima da sustentabilidade “pense globalmente e aja localmente” é um belo convite para essa necessária reflexão. Do ponto de partida da relevância desta agenda, claro, os temas mundiais são colocados com maior urgência e prioridade. Como não se preocupar com as mudanças climáticas e as catástrofes que temos presenciado com maior frequência e intensidade? O que dizer das queimadas, desmatamentos, secas e enchentes que assolam os quatro cantos do mundo a todo momento?
Para além das importantes discussões multissetoriais, envolvendo poder público, iniciativa privada, academia, parlamento, mídia e a sociedade civil, é fundamental reforçar o conceito da “Cidadania Ambiental”. Um compromisso individual, de dentro para fora, que exige consciência, visão coletiva e muito engajamento.
A Cidadania Ambiental não é só sobre “ser verde”, mas sobre transformar relações de poder. Esse conceito vai além da simples ideia de “fazer a sua parte” pelo meio ambiente. Ele está fundamentado em uma série de pressupostos teóricos, políticos e éticos que refletem uma visão crítica da relação entre sociedade, Estado e natureza. Por isso, é tão relevante (e controverso) no debate atual.
Do ponto de vista da consciência planetária, tal abordagem pressupõe entender que problemas como mudança climática, poluição dos oceanos ou perda de biodiversidade não respeitam fronteiras. Os impactos afetam o ecossistema mundial
No que diz respeito à justiça ambiental global, é necessário reconhecer que as consequências da degradação afetam mais os vulneráveis. Por exemplo, os países insulares sofrem mais com o aquecimento global, mas pouco contribuíram para ele.
São crescentes os estudos de impacto da agenda ambiental e os indicadores de saúde. Essa conexão pode ser analisada através de múltiplas dimensões, desde doenças específicas até desigualdades estruturais. Essa relação é direta e profundamente interligada, uma vez que a qualidade do meio ambiente afeta determinantemente o bem-estar físico, mental e social das populações.
A cidadania ambiental se concretiza em ações individuais e locais, com mudanças a partir do cotidiano: do comportamento de consumo; maior conscientização sobre desperdícios de energia, água e alimentos; separação de resíduos; hortas comunitárias; apoio a negócios sustentáveis em sua região. Esses são alguns exemplos de um empoderamento comunitário potente para ampliar engajamentos voluntários e uma maior participação por políticas públicas nos municípios.
Nossa agenda está atrasada e não temos tempo a perder.

André Esteves é diretor executivo do Instituto Onda Azul
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