fraficodivulgação
Publicado 19/07/2025 00:00
De repente, um cenário externo desfavorável ameaça desabar sobre o nosso País, em face da perspectiva de imposição, sobre as nossas exportações para a mais rica nação do mundo ocidental, os Estados Unidos, de uma elevadíssima tarifa aduaneira por iniciativa completamente inesperada das autoridades americanas. Adicione-se a esse quadro bem desfavorável à frente, o que apurou e acaba de anunciar o nosso Banco Central, com base em seu próprio índice que mede a evolução da atividade econômica interna, o IBC-Br, uma retração de 0,7% na atividade econômica, comparando o mês de maio com abril, interrompendo quatro meses de expansão ininterrupta e mostrando os primeiros sintomas de uma crise econômica que parece se avizinhar. (Calculado pelo Banco Central, o IBC-BR é hoje talvez o principal índice sinalizador da evolução da atividade econômica de curtíssimo prazo em nosso País).

A expectativa do mercado financeiro é de crescimento de 2,23%, com base nesse mesmo índice em todo este ano, relativamente ao ano precedente, esperando-se uma taxa ainda menor (1,89%) para 2026 e ante 2025.

--O que significa isso? Tenho argumentado que, no nosso caso, a taxa de crescimento real do PIB é explicada, basicamente, pelo crescimento real dos investimentos públicos em infraestrutura, conforme se vê no gráfico ao lado.

No gráfico, podem-se visualizar as médias móveis reais de dez anos dessas duas taxas de crescimento, junto com as linhas de tendência respectivas, no período 1997-2022, onde se permitem destacar, com clareza, duas subfases recentes e bem distintas (veja o gráfico).
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As duas subfases destacadas são, aproximadamente, 1997-2014 e 2015-2022, sendo a primeira claramente ascendente, e a segunda, descendente, ou seja, comportamentos diametralmente opostos, na mesma linha do que se nota ao comparar o primeiro com o segundo momento de 2025 antes referidos. Não foi por outro motivo que as médias móveis das taxas médias de crescimento do PIB subiram, sistematicamente, de 2 para cerca de 4% ao ano na primeira subfase, e desabaram de cerca de 4 para algo próximo de 0,5% em 2022, um pouco antes do momento atual.

Tal comportamento se deveu, basicamente, à forte subida dos gastos reais do item de maior peso na pauta federal, benefícios previdenciários, item esse não mostrado no mesmo gráfico, mas que cresceu fortemente à medida que o segundo período antes referido se aproximava. Ou seja, quanto mais rapidamente crescia o gasto previdenciário, menor o espaço orçamentário para investir em infraestrutura no setor público (no caso, na União), e, por consequência, para o PIB real crescer.

Nota: Não houve igualmente espaço para inserir o gráfico das permanentemente declinantes taxas de crescimento dos investimentos privados em infraestrutura no mesmo período, que, mantido o padrão de sempre, jamais teriam podido compensar a queda que vem ocorrendo no âmbito público. Nessas condições, devemos negociar com os americanos com bastante jeito para as coisas não piorarem ainda mais...
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