Publicado 30/09/2025 00:00
Recentemente, fui questionado com uma pergunta simples, mas carregada de profundidade: “Doutor, conversar ajuda?”. A resposta é sim. A palavra é um bálsamo inicial, um primeiro socorro da alma. É o gesto que rompe o silêncio e lembra à pessoa em sofrimento que não está sozinha. É como nos lembra a literatura, quando um personagem de Machado de Assis encontra alívio ao compartilhar seu tormento. Falar é um ato de coragem, e esta é a essência do Setembro Amarelo: romper o silêncio é fundamental.
PublicidadeMas também é meu dever, guiado pela ética e pela ciência, esclarecer que apenas conversar não basta. Assim como um mal-estar cardíaco exige mais do que um abraço, a dor que leva alguém a pensar em suicídio precisa de cuidado especializado. Quem sofre não deseja morrer, deseja apenas que a dor cesse. Como escreveu Drummond, busca-se “o silêncio da dor que não se ouve”. Por isso, frases como “vai passar” ou “pense positivo”, mesmo bem-intencionadas, podem soar como descaso. É como tentar estancar uma
hemorragia com um curativo de palavras: insuficiente e perigoso.
hemorragia com um curativo de palavras: insuficiente e perigoso.
O acolhimento de amigos e familiares é precioso, mas não substitui o diagnóstico e o tratamento baseados em evidências. Cabe ao psiquiatra e aos profissionais de saúde mental decifrar sinais, avaliar riscos e oferecer terapias eficazes. É nossa função, com preparo técnico e sensibilidade, conduzir a travessia dessa tempestade interior. fale, apoie, mas também incentive o cuidado profissional.
Muitas pessoas, com medo do julgamento, procuram se abrir apenas de forma anônima. Embora possa aliviar em um primeiro momento, essa escuta exige preparo técnico, ética e responsabilidade. Não pode ser feita por qualquer pessoa. Orientações mal conduzidas podem agravar o quadro. É por isso que a Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP reforça: procure profissionais capacitados, em serviços reconhecidos das redes públicas e privadas de Psiquiatria.
O atendimento especializado garante tranquilidade, mas também proteção real. Avaliamos se há transtornos não tratados, verificamos o uso correto de medicamentos, e quando o
risco é iminente, acionamos os recursos de emergência. No Brasil, o SAMU está preparado para emergências. Nessas horas, não hesite: exija, peça ajuda urgente! Mas salvar vidas não se resume à crise. É um processo contínuo, feito de acompanhamento, de consultas regulares, de cuidado que se prolonga no tempo. É reconstruir, pedra por pedra, a vontade de viver. Como na poesia, é reescrever uma narrativa de dor em uma história de resistência e de esperança.
E se você acredita que não tem rede de apoio, lembre-se: apoio pode existir em diferentes lugares. Converse com um vizinho, com membros de uma igreja, com colegas de escola ou de trabalho, com alguém de grupos que você frequenta. Não é preciso ter uma relação íntima para pedir ajuda. O essencial é proteger a sua vida. Busque o espaço em que se sentir mais confortável, e não enfrente sozinho essa dor.
Todos nós enfrentamos perdas, dívidas, rupturas, lutos e dificuldades. Algumas histórias são marcadas por dores intensas, mas ainda assim, vale sempre a pena viver. A vida se transforma, se reorganiza, encontra novos significados. Nada é estático, e mesmo a noite mais longa dá lugar ao amanhecer. Nascemos com o propósito da vida e preservar esse propósito é o que nos mantém inteiros.
Se a vida imita a arte, que seja então uma narrativa de superação. Que o diálogo derrube preconceitos, e que a ciência aponte caminhos seguros. Porque a ajuda existe, é eficaz e está ao alcance de todos. E, porque a vida é a nossa maior obra. Se precisar, peça ajuda.
Muitas pessoas, com medo do julgamento, procuram se abrir apenas de forma anônima. Embora possa aliviar em um primeiro momento, essa escuta exige preparo técnico, ética e responsabilidade. Não pode ser feita por qualquer pessoa. Orientações mal conduzidas podem agravar o quadro. É por isso que a Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP reforça: procure profissionais capacitados, em serviços reconhecidos das redes públicas e privadas de Psiquiatria.
O atendimento especializado garante tranquilidade, mas também proteção real. Avaliamos se há transtornos não tratados, verificamos o uso correto de medicamentos, e quando o
risco é iminente, acionamos os recursos de emergência. No Brasil, o SAMU está preparado para emergências. Nessas horas, não hesite: exija, peça ajuda urgente! Mas salvar vidas não se resume à crise. É um processo contínuo, feito de acompanhamento, de consultas regulares, de cuidado que se prolonga no tempo. É reconstruir, pedra por pedra, a vontade de viver. Como na poesia, é reescrever uma narrativa de dor em uma história de resistência e de esperança.
E se você acredita que não tem rede de apoio, lembre-se: apoio pode existir em diferentes lugares. Converse com um vizinho, com membros de uma igreja, com colegas de escola ou de trabalho, com alguém de grupos que você frequenta. Não é preciso ter uma relação íntima para pedir ajuda. O essencial é proteger a sua vida. Busque o espaço em que se sentir mais confortável, e não enfrente sozinho essa dor.
Todos nós enfrentamos perdas, dívidas, rupturas, lutos e dificuldades. Algumas histórias são marcadas por dores intensas, mas ainda assim, vale sempre a pena viver. A vida se transforma, se reorganiza, encontra novos significados. Nada é estático, e mesmo a noite mais longa dá lugar ao amanhecer. Nascemos com o propósito da vida e preservar esse propósito é o que nos mantém inteiros.
Se a vida imita a arte, que seja então uma narrativa de superação. Que o diálogo derrube preconceitos, e que a ciência aponte caminhos seguros. Porque a ajuda existe, é eficaz e está ao alcance de todos. E, porque a vida é a nossa maior obra. Se precisar, peça ajuda.
Antônio Geraldo da Silva é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
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