Publicado 07/01/2026 00:00
Eu preciso disso? Eu posso pagar por isso? Se os consumidores norteassem suas compras baseados nessas perguntas, não teríamos quase 80% das famílias brasileiras endividadas. Chegou a 79,5%, em outubro de 2025, o percentual de famílias com algum tipo de dívida a vencer. E o pior é que, desse total, 30,5% estão com as dívidas atrasadas e 13,2% não terão condições de pagar as parcelas. Os dados preocupantes são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
PublicidadeDezembro foi o clímax do consumismo. As pessoas gastam mais no Natal do que em qualquer outro momento do ano. A corrida frenética aos shoppings é estimulada não só pela ansiedade, mas também pelas estratégias de marketing cada vez mais arrojadas que criam urgências que não existem.
Não comprar produtos tão divulgados gera, em muita gente, sensação de vazio, de não pertencimento. E obtê-los tem o sentido de validação.
Mas o boleto sempre chega e, muitas vezes com ele, a consciência atrasada de que aquele produto não era realmente necessário.
O “Feliz ano novo” que tanto se desejou nas festas da virada depende, também, de como os recursos financeiros são conduzidos ao longo dos meses. Sejam eles poucos ou em abundância. A pressão sempre empurra para um consumo descontrolado. O calendário é repleto de datas comemorativas que aquecem o comércio e acionam o gatilho consumista numa sociedade onde TER é mais valorizado que SER.
Nada contra o esforço empenhado na compra de bens que, de fato, trazem conforto, prazer e realização. O problema é quando se perde o equilíbrio no consumismo desenfreado.
O início do novo ano traz despesas certas: IPVA, IPTU, matrícula, materiais escolares, entre outras. E, nesse período, o consumidor precisa ter maturidade diante das liquidações que o comércio costuma oferecer para zerar seus estoques. Nada mal para quem se programou para comprar nessa época. Mas as promoções podem ser uma cilada para os que já estão mergulhados em dívidas.
As liquidações dão a falsa impressão de que o consumidor está economizando, quando, na verdade, pode estar comprando produtos dos quais não precisa, atraído pelos grandes descontos.
É fundamental evitar compras que não estão programadas, de última hora. Importante fazer uma lista contendo realmente o que precisa e calculando o que cabe no bolso. E nunca se esquecer de pesquisar preços, que variam muito entre as lojas.
Nas compras pela internet, o consumidor deve verificar se a empresa tem CNPJ, razão social e endereço identificados. É importante, ainda, pesquisar sobre a loja, verificando histórico de compras feitas em plataformas de reclamações, como o consumidor.gov.
Muitas orientações contra armadilhas no comércio podem ser encontradas nos sites de defesa do consumidor, como os dos Procons. Porém, mais do que qualquer dica para as compras, o que o consumidor está precisando é ressignificar suas prioridades e avaliar a importância que tem dado a produtos que, todos os anos, trazem dívidas e nunca saciam.
Deputado federal Jorge Braz
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