Publicado 22/01/2026 00:00
O plástico de uso único é um dos símbolos mais evidentes do desafio de equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade. Ele cumpre funções essenciais: conserva alimentos, garante higiene e é indispensável à saúde e à logística, mas o uso indiscriminado e o descarte inadequado transformaram essa solução em um grave problema ambiental. Itens usados por poucos minutos podem permanecer no ambiente por décadas, afetando ecossistemas e comunidades.
No Brasil, a gestão desse resíduo é ainda mais complexa. A extensão territorial, as desigualdades sociais e a infraestrutura limitada de coleta e reciclagem tornam o desafio sistêmico. Os índices de reciclagem de plástico vêm avançando, alcançando 20,6% em 2023, segundo a Maxiquim, mas grande parte do material descartável ainda tem como destino aterros, rios e oceanos. Mesmo assim, há caminhos possíveis baseados em regulação, inovação e economia circular.
Nos últimos anos, estados e municípios criaram leis que restringem o uso de descartáveis, como sacolas e canudos. Essas medidas têm caráter educativo, mas só são eficazes quando articuladas a políticas mais amplas de gestão de resíduos sólidos. É necessário racionalizar o consumo, fortalecer a coleta seletiva, ampliar a reciclagem e valorizar o papel das cooperativas de catadores. Resíduo não é lixo: tem valor econômico e pode retornar à cadeia produtiva. Para isso, é fundamental estimular a demanda por materiais reciclados e enfrentar entraves estruturais, como a bitributação da resina reciclada.
A ciência também tem oferecido alternativas, como plásticos de fonte renovável, biodegradáveis e recicláveis de alto desempenho, além de soluções de design que reduzem o uso de material ou prolongam a vida útil dos produtos. No entanto, inovação não significa apenas substituir materiais, mas avaliar todo o ciclo de vida e seus impactos reais. Parcerias entre universidades, startups e empresas são decisivas para levar essas soluções à escala.
A economia circular propõe superar o modelo linear de produzir, usar e descartar, mantendo materiais em circulação e valorizando resíduos como insumos. No Brasil, esse movimento já se traduz em parcerias entre empresas e cooperativas, gerando ganhos ambientais, renda e inclusão social.
Nenhuma estratégia funciona isoladamente. Empresas como a Braskem atuam em diferentes frentes para ampliar a circularidade do plástico, da reciclagem mecânica ao desenvolvimento de soluções inovadoras, como o PE Verde, produzido a partir da cana-de-açúcar, além de iniciativas como o Cazoolo, seu Lab de Embalagens, voltado à reavaliação e ao redesenho de embalagens mais circulares. Quando ações empresariais se somam a políticas públicas consistentes e ao engajamento da sociedade, abrem-se caminhos para mudanças estruturais.
A gestão e mitigação do plástico de uso único no Brasil exigem integração de esforços. Regular, inovar e circular não são caminhos distintos, mas partes de uma mesma estratégia para reduzir impactos ambientais e construir um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável.
PublicidadeNo Brasil, a gestão desse resíduo é ainda mais complexa. A extensão territorial, as desigualdades sociais e a infraestrutura limitada de coleta e reciclagem tornam o desafio sistêmico. Os índices de reciclagem de plástico vêm avançando, alcançando 20,6% em 2023, segundo a Maxiquim, mas grande parte do material descartável ainda tem como destino aterros, rios e oceanos. Mesmo assim, há caminhos possíveis baseados em regulação, inovação e economia circular.
Nos últimos anos, estados e municípios criaram leis que restringem o uso de descartáveis, como sacolas e canudos. Essas medidas têm caráter educativo, mas só são eficazes quando articuladas a políticas mais amplas de gestão de resíduos sólidos. É necessário racionalizar o consumo, fortalecer a coleta seletiva, ampliar a reciclagem e valorizar o papel das cooperativas de catadores. Resíduo não é lixo: tem valor econômico e pode retornar à cadeia produtiva. Para isso, é fundamental estimular a demanda por materiais reciclados e enfrentar entraves estruturais, como a bitributação da resina reciclada.
A ciência também tem oferecido alternativas, como plásticos de fonte renovável, biodegradáveis e recicláveis de alto desempenho, além de soluções de design que reduzem o uso de material ou prolongam a vida útil dos produtos. No entanto, inovação não significa apenas substituir materiais, mas avaliar todo o ciclo de vida e seus impactos reais. Parcerias entre universidades, startups e empresas são decisivas para levar essas soluções à escala.
A economia circular propõe superar o modelo linear de produzir, usar e descartar, mantendo materiais em circulação e valorizando resíduos como insumos. No Brasil, esse movimento já se traduz em parcerias entre empresas e cooperativas, gerando ganhos ambientais, renda e inclusão social.
Nenhuma estratégia funciona isoladamente. Empresas como a Braskem atuam em diferentes frentes para ampliar a circularidade do plástico, da reciclagem mecânica ao desenvolvimento de soluções inovadoras, como o PE Verde, produzido a partir da cana-de-açúcar, além de iniciativas como o Cazoolo, seu Lab de Embalagens, voltado à reavaliação e ao redesenho de embalagens mais circulares. Quando ações empresariais se somam a políticas públicas consistentes e ao engajamento da sociedade, abrem-se caminhos para mudanças estruturais.
A gestão e mitigação do plástico de uso único no Brasil exigem integração de esforços. Regular, inovar e circular não são caminhos distintos, mas partes de uma mesma estratégia para reduzir impactos ambientais e construir um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável.
Por Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo
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