Publicado 23/01/2026 00:00
Amanhã, no Dia Internacional da Educação (24), é preciso lembrar que não existe futuro possível sem educação pública de qualidade. No estado do Rio de Janeiro, a data expõe uma verdade incômoda. Há anos, nossos jovens não têm acesso garantido a um direito básico: aprender com dignidade e perspectiva de futuro.
PublicidadeA crise da educação fluminense resulta de uma gestão errática, de escolhas políticas reiteradas e de um orçamento corroído pelo descaso. O cenário é conhecido: indicadores em queda, escolas sucateadas, ausência de novas unidades e a juventude cada vez mais distante de oportunidades reais.
Nesse contexto, o governo estadual acumulou decisões que aprofundam o problema. O governador perdeu o prazo para aprovar uma lei que garantiria R$ 117 milhões aos municípios para investimentos em educação, e o Rio é o único estado do país nessa situação. Caso o impasse persista, a perda pode ser ainda maior no próximo ano. Soma-se a isso a adoção do sistema de aprovação automática, criticado por mascarar deficiências de aprendizagem, em vez de enfrentá-las.
Também a implementação da Reforma do Ensino Médio agrava o quadro. Vendida como ampliação de escolhas e flexibilização de trajetórias, na prática fluminense aprofundou desigualdades. A oferta de apenas duas trilhas formativas é ruim em um estado onde faltam escolas, professores e laboratórios. O efeito é perverso: jovens pobres passam a ter menos opções educacionais simplesmente por nascerem no lugar errado.
Também a implementação da Reforma do Ensino Médio agrava o quadro. Vendida como ampliação de escolhas e flexibilização de trajetórias, na prática fluminense aprofundou desigualdades. A oferta de apenas duas trilhas formativas é ruim em um estado onde faltam escolas, professores e laboratórios. O efeito é perverso: jovens pobres passam a ter menos opções educacionais simplesmente por nascerem no lugar errado.
Para estudantes da capital ou de grandes centros, ainda existe alguma margem de escolha. Para jovens de cidades pequenas, zonas rurais ou regiões periféricas, a reforma se transforma em funil. Ou aceitam a trilha disponível, muitas vezes desconectada dos interesses deles e do mundo do trabalho, ou abandonam a escola. O discurso da liberdade vira ficção para quem mais depende do Estado.
Os dados confirmam o desastre. No ensino médio, o Rio de Janeiro figura entre os piores desempenhos do país no Ideb, ocupando, há mais de uma década, as últimas posições do ranking nacional. Trata-se de um fracasso estrutural e persistente.
É inadmissível que um dos estados mais ricos do Brasil apresente resultados educacionais tão ruins. Isso é má gestão. A instabilidade administrativa da Secretaria Estadual de Educação, marcada por trocas sucessivas de comando e ausência de planejamento de longo prazo, impede a continuidade de políticas públicas. Cada governo recomeça do zero, e a educação segue parada.
Enquanto isso, professores trabalham em condições precárias, estudantes convivem com estruturas inadequadas e famílias perdem a confiança na escola pública. Os efeitos extrapolam a sala de aula: alimentam evasão, informalidade precoce, violência e desesperança.
É inadmissível que um dos estados mais ricos do Brasil apresente resultados educacionais tão ruins. Isso é má gestão. A instabilidade administrativa da Secretaria Estadual de Educação, marcada por trocas sucessivas de comando e ausência de planejamento de longo prazo, impede a continuidade de políticas públicas. Cada governo recomeça do zero, e a educação segue parada.
Enquanto isso, professores trabalham em condições precárias, estudantes convivem com estruturas inadequadas e famílias perdem a confiança na escola pública. Os efeitos extrapolam a sala de aula: alimentam evasão, informalidade precoce, violência e desesperança.
Educação não é política acessória. É desenvolvimento, redução da desigualdade e política de segurança. O Rio precisa decidir se continuará administrando a decadência ou se assumirá que investir em educação exige prioridade, planejamento e coragem política. Não há reforma que funcione sem estrutura. Nem futuro possível quando um estado desiste de sua juventude.
Salvino Oliveira é vereador do Rio, presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara, presidente do PSD Jovem e ex-secretário municipal da Juventude do Rio de Janeiro
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