Ludmila Schargeldivulgação
Publicado 23/01/2026 00:00
O assédio moral no ambiente de trabalho é um problema muito maior do que os números de processos judiciais conseguem revelar. Pesquisas internacionais apontam que até 92% das vítimas não chegam a relatar formalmente as situações de abuso, seja por medo de retaliações, seja pela descrença de que algo efetivamente será feito. Isso significa que o que chega ao conhecimento das empresas e da Justiça é apenas a ponta do iceberg.
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Ao mesmo tempo, levantamentos indicam que cerca de 30% dos profissionais afirmam ter sofrido algum tipo de assédio nos últimos 12 meses, sendo que quase metade desses casos está relacionada a formas de assédio moral ou psicológico, como humilhações, isolamento, cobranças desproporcionais e exposição a constrangimentos públicos.
Os impactos desse comportamento abusivo vão muito além do sofrimento individual. Estudos mostram que trabalhadores submetidos a ambientes hostis tendem a reduzir a qualidade do trabalho, faltar mais, adoecer com maior frequência e considerar a saída da empresa como única alternativa de sobrevivência emocional. Esse cenário se reflete diretamente nos resultados das organizações: queda de produtividade, aumento do turnover, crescimento de afastamentos por questões de saúde e elevação do número de litígios.
Estimativas globais apontam que empresas podem perder milhões de dólares por ano em razão desses fatores. O total do prejuízo, se somados custos com rotatividade, absenteísmo, tratamentos de saúde e processos judiciais, ultrapassam a casa dos US$ 250 milhões.
Diante desse quadro, é indispensável que os empresários adotem uma postura ativa de vigilância e prevenção, criando mecanismos eficazes para coibir o assédio moral em todas as suas formas, seja ele vertical, praticado por superiores hierárquicos, seja horizontal, entre colegas de trabalho. Isso envolve canais seguros de denúncia, treinamentos contínuos, políticas claras de conduta e, principalmente, a apuração séria e imparcial de cada relato.
Falar de assédio moral, portanto, não é apenas discutir um problema jurídico, mas tratar de um tema central de gestão, cultura organizacional e saúde no trabalho. Ignorar o problema não o faz desaparecer — ao contrário, apenas perpetua um ciclo silencioso de adoecimento, queda de desempenho e perdas financeiras que afetam trabalhadores e empresas em todo o mundo.

Ludmila Schargel Maia é sócia do DBMM Advogados Associados e conselheira titular da Câmara de Mediação do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)
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