Publicado 30/01/2026 00:00
Grandes eventos deixaram de ser apenas palco, público e programação. Hoje, funcionam como ecossistemas digitais temporários, que concentram aplicativos, Wi-Fi público, credenciamento eletrônico, meios de pagamento, captação de imagens e uma extensa cadeia de fornecedores tecnológicos. No Rio de Janeiro, isso se aplica diretamente ao Carnaval de rua, aos desfiles, aos camarotes, aos grandes festivais e aos megashows realizados em praias, estádios e parques.
Nesse contexto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a segurança da informação deixaram de ser temas periféricos para ocupar posição central na credibilidade e na confiança transmitidas ao público. Do ponto de vista tecnológico, um grande evento se assemelha a uma infraestrutura corporativa montada em poucos dias, com alto volume de acessos e múltiplos pontos de coleta de dados pessoais.
No Carnaval, por exemplo, foliões fornecem dados ao comprar ingressos para camarotes, se cadastrar em aplicativos de blocos, utilizar QR Codes para acesso a áreas restritas ou ao se conectar a redes Wi-Fi públicas. Em megashows, a dinâmica é semelhante: venda digital de ingressos, cadastros para experiências patrocinadas, ativações de marca e captação massiva de imagens e vídeos.
A experiência mostra que a maioria dos problemas em ambiente digital não nasce de ataques sofisticados, mas de falhas básicas de gestão. O compartilhamento informal de listas de participantes, o uso de dispositivos de credenciamento sem proteção adequada, redes Wi-Fi abertas e mal segmentadas, além do uso indevido de imagens, formam um padrão recorrente.
Planilhas com nomes, e-mails e telefones ainda circulam entre patrocinadores e parceiros sem base legal clara ou possibilidade de auditoria. Tablets e notebooks usados no credenciamento concentram dados sensíveis e, sem criptografia ou bloqueio automático, tornam-se vetores silenciosos de incidentes. O mesmo ocorre com redes Wi-Fi abertas, que permitem interceptação de tráfego e acesso indevido a sistemas do evento. Boa parte desses riscos se origina na relação com fornecedores. Eventos raramente são operados por uma única empresa e, sem contratos com cláusulas específicas de LGPD e segurança da informação, o risco jurídico e reputacional recai sobre o organizador.
Passado o Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, esses episódios reforçam uma lição central: tratar a proteção de dados como mera formalidade é um erro caro. A ausência de vazamentos não significa que não há risco. A prevenção começa com planejamento, mapeamento de dados e definição clara de responsabilidades.
Eventos que amadureceram sua abordagem adotam práticas simples e eficazes, como registros das operações de tratamento, planos de resposta a incidentes, treinamento das equipes e controles técnicos mínimos. Não eliminam o risco, mas reduzem de forma significativa seus impactos. No fim, a equação é clara. Dados são ativos valiosos, a confiança é construída nos bastidores e a segurança da informação, embora não apareça no palco, é o que sustenta o espetáculo. Em um mercado cada vez mais competitivo, eventos confiáveis são, antes de tudo, eventos seguros.
PublicidadeNesse contexto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a segurança da informação deixaram de ser temas periféricos para ocupar posição central na credibilidade e na confiança transmitidas ao público. Do ponto de vista tecnológico, um grande evento se assemelha a uma infraestrutura corporativa montada em poucos dias, com alto volume de acessos e múltiplos pontos de coleta de dados pessoais.
No Carnaval, por exemplo, foliões fornecem dados ao comprar ingressos para camarotes, se cadastrar em aplicativos de blocos, utilizar QR Codes para acesso a áreas restritas ou ao se conectar a redes Wi-Fi públicas. Em megashows, a dinâmica é semelhante: venda digital de ingressos, cadastros para experiências patrocinadas, ativações de marca e captação massiva de imagens e vídeos.
A experiência mostra que a maioria dos problemas em ambiente digital não nasce de ataques sofisticados, mas de falhas básicas de gestão. O compartilhamento informal de listas de participantes, o uso de dispositivos de credenciamento sem proteção adequada, redes Wi-Fi abertas e mal segmentadas, além do uso indevido de imagens, formam um padrão recorrente.
Planilhas com nomes, e-mails e telefones ainda circulam entre patrocinadores e parceiros sem base legal clara ou possibilidade de auditoria. Tablets e notebooks usados no credenciamento concentram dados sensíveis e, sem criptografia ou bloqueio automático, tornam-se vetores silenciosos de incidentes. O mesmo ocorre com redes Wi-Fi abertas, que permitem interceptação de tráfego e acesso indevido a sistemas do evento. Boa parte desses riscos se origina na relação com fornecedores. Eventos raramente são operados por uma única empresa e, sem contratos com cláusulas específicas de LGPD e segurança da informação, o risco jurídico e reputacional recai sobre o organizador.
Passado o Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, esses episódios reforçam uma lição central: tratar a proteção de dados como mera formalidade é um erro caro. A ausência de vazamentos não significa que não há risco. A prevenção começa com planejamento, mapeamento de dados e definição clara de responsabilidades.
Eventos que amadureceram sua abordagem adotam práticas simples e eficazes, como registros das operações de tratamento, planos de resposta a incidentes, treinamento das equipes e controles técnicos mínimos. Não eliminam o risco, mas reduzem de forma significativa seus impactos. No fim, a equação é clara. Dados são ativos valiosos, a confiança é construída nos bastidores e a segurança da informação, embora não apareça no palco, é o que sustenta o espetáculo. Em um mercado cada vez mais competitivo, eventos confiáveis são, antes de tudo, eventos seguros.
Theonácio Lima Junior, diretor do TI Rio - entidade representativa das empresas de tecnologia da informação do estado do Rio de Janeiro
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