Publicado 05/02/2026 00:00
Oi, gente! Como gestora e cidadã, sempre defendi que a política só faz sentido quando serve para dar voz a quem mais precisa. Existe um grupo de enfermidades que a ciência chama de "doenças tropicais negligenciadas", mas que eu prefiro chamar de doenças do silêncio. São males como a hanseníase, a dengue, a doença de chagas e a leishmaniose, que atingem majoritariamente as populações mais vulneráveis e, por vezes, acabam ficando em segundo plano nos debates nacionais. No entanto, para uma gestão comprometida, o que é silenciado deve ser priorizado.
PublicidadeO desafio é imenso. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou em 2024 um recorde histórico de dengue, superando a marca de 6,4 milhões de casos prováveis e quase 6 mil mortes. Na hanseníase, a situação não é menos grave: nosso país concentra mais de 90% dos casos das Américas, ocupando a triste segunda posição mundial em incidência, atrás apenas da Índia. No último boletim epidemiológico de 2025, o governo federal apontou que cerca de 11% dos novos diagnósticos já apresentam lesões graves e incapacitantes, o que revela um diagnóstico tardio preocupante.
Quando assumi a prefeitura, entendi que a gestão em Saquarema precisava enfrentar essa realidade com coragem e inovação. Não poderíamos aceitar que doenças tratáveis continuassem estigmatizando nossa gente. Por isso, implementamos políticas públicas baseadas em evidências e na escuta ativa. No combate à dengue, fomos a primeira cidade do estado a criar um mapa georreferenciado de todas as ocorrências. Essa ferramenta de eficiência governamental permitiu que nossas equipes de saúde e os agentes de endemias atuassem cirurgicamente nos focos de calor, transformando dados em vidas salvas.
Na hanseníase, focamos no "Janeiro Roxo" para treinar médicos e enfermeiros, garantindo que o diagnóstico nascesse na ponta, no posto de saúde do bairro. Criamos uma rede multidisciplinar com fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais para oferecer um atendimento público humanizado, combatendo não só a bactéria, mas o preconceito. Segmentamos nossas clínicas para ouvir as especificidades de cada público - homens, idosas, diabéticos e oncológicos - porque cada paciente é único e merece ser acolhido com dignidade.
Toda essa transformação só foi possível com o uso estratégico dos royalties do petróleo. Destinamos 25% desses recursos para a área, o que permitiu que a saúde pública de Saquarema saltasse de 24 para 53 unidades de atendimento em menos de uma década. Saímos de uma cobertura de 49% para 100% na Atenção Básica. É o que eu chamo de royalties e saúde trabalhando de verdade para a população, garantindo que o dinheiro do petróleo se transforme em exames de alta complexidade e tratamento gratuito no SUS.
É inspirador ver que outras cidades também trilham caminhos de sucesso. Em Montes Claros (MG), por exemplo, a educação virou aliada da saúde. Escolas como a Municipal Exupério Gonçalves e a Dominguinhos Pereira realizam projetos incríveis de visibilidade às doenças negligenciadas. Eles levam os alunos para conhecer a realidade de rios locais e usam maquetes para ensinar a identificar o "barbeiro", transmissor da doença de chagas. Já em Campos dos Goytacazes (RJ), o projeto "Roda Hans" - uma carreta da saúde em parceria com o Ministério da Saúde e a Fiocruz - percorre os bairros para diagnóstico precoce e capacitação profissional.
Essas ações integradas mostram que, quando o poder público se dispõe a olhar para quem tem menos força, o impacto social é transformador. O Brasil tem o orgulho de sediar instituições como a Fiocruz, reconhecida internacionalmente pelo método Wolbachia no combate à dengue. Temos a tecnologia e o conhecimento; o que falta, muitas vezes, é a sensibilidade política de colocar essas ferramentas a serviço dos invisíveis.
Essas ações integradas mostram que, quando o poder público se dispõe a olhar para quem tem menos força, o impacto social é transformador. O Brasil tem o orgulho de sediar instituições como a Fiocruz, reconhecida internacionalmente pelo método Wolbachia no combate à dengue. Temos a tecnologia e o conhecimento; o que falta, muitas vezes, é a sensibilidade política de colocar essas ferramentas a serviço dos invisíveis.
Encerro esta coluna reforçando meu comprometimento público: governar é escolher quem você vai proteger. Eu escolhi proteger as pessoas. Doenças negligenciadas não podem ser ignoradas por quem detém a caneta. Aprendi que a cura começa com o acolhimento e se consolida com investimento sério. Afinal, uma sociedade verdadeiramente desenvolvida é aquela onde ninguém é deixado para trás, especialmente em sua saúde.
Você conhece algum projeto de saúde que mudou a realidade do seu bairro? Me conte nas redes sociais que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vou adorar conhecer! Um beijo e até a próxima!
Manoela Peres é secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema, ex-prefeita de Saquarema e Mestre em Administração
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.