Gutemberg Fonseca, Secretário de Estado de Defesa do ConsumidorDIVULGAÇÃO
Publicado 12/03/2026 00:00
O crédito continua sendo um dos motores da economia brasileira. Ele realiza sonhos, movimenta o comércio e gera empregos. No entanto, quando utilizado sem planejamento ou oferecido de forma irresponsável, pode transformar oportunidades em um ciclo sufocante de dívidas. Em 2026, o alerta permanece aceso. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontam que cerca de 79% das famílias brasileiras estão endividadas. Desse total, aproximadamente 29% têm contas em atraso e 12% afirmam não ter condições de pagar suas dívidas.

Os números revelam um cenário desafiador. Cartão de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos seguem entre as principais causas do endividamento. Em um ambiente de crédito facilitado, compras parceladas e ofertas constantes, especialmente em datas promocionais, muitas famílias comprometem grande parte da renda, reduzem a capacidade de planejamento e ampliam a vulnerabilidade financeira.

Mas há um caminho possível: a negociação.

Renegociar dívidas não é sinal de fracasso, é um ato de responsabilidade. A Lei do Superendividamento garante instrumentos para que o consumidor reorganize sua vida financeira, preservando o chamado mínimo existencial. Mais do que reorganizar números, trata-se de devolver dignidade.

Ao reduzir juros abusivos, ajustar parcelas à realidade da renda e limpar o nome, o consumidor retoma o controle da própria vida. A renegociação permite sair do sufoco, reconstruir o crédito e voltar a consumir de forma planejada. Isso não beneficia apenas a família endividada, fortalece também a economia ao reinserir esse cidadão no mercado de forma saudável.

Durante a Semana do Consumidor, período marcado por intensa publicidade e ofertas atrativas, o risco do consumo impulsivo aumenta. Muitas pessoas, sem orientação adequada sobre planejamento financeiro, acabam assumindo compromissos que não conseguem cumprir. É nesse contexto que os órgãos de defesa do consumidor ganham ainda mais relevância. Eles atuam na mediação de conflitos, no combate a cobranças abusivas e na promoção de soluções que evitam o agravamento da dívida. Somente no Rio de Janeiro, entre 2023 e 2025, foram registrados mais de 470 mil atendimentos em todo o estado.

Os mutirões de negociação de dívidas são exemplos concretos de como políticas públicas podem transformar realidades. Apenas em 2025, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o PROCON-RJ viabilizaram mais de R$ 40 milhões em dívidas renegociadas, beneficiando mais de 90 mil famílias. São números que representam recomeços. A próxima edição acontece entre os dias 9 e 13 de março e os últimos números dão uma dimensão do que tem significado essa oportunidade.

O Brasil ainda enfrenta alto índice de endividamento, mas a solução passa por educação financeira, transparência nas relações de consumo e canais acessíveis de negociação. Endividamento é uma realidade. Dignidade financeira precisa ser prioridade.
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Gutemberg Fonseca é secretário de Estado de Defesa do Consumidor
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