Publicado 29/03/2026 00:02
O dia era sábado. O mês, março, 21 de março. A mãe, Gabrielle, acordou e sentiu o estourar da bolsa.Com a calma que a faz viver as delicadezas dos momentos, organizou as coisas e os sentimentos e foi para a maternidade.
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O pai, Guilherme, era um sorriso sem dia para terminar. E, então, o tempo da espera. Esperaram os meses necessários. Agora, eram horas, apenas.
A hora em que Gabriel nasceu era a hora que se aproximava da hora da Ave Maria. Minutos antes das 6 da tarde.O mundo dos aconchegos dentro da mãe já havia cumprido o seu papel.Era o mundo novo de Gabriel. De Gabriel, o anunciador, que anunciava um mundo novo a conhecer, um mundo novo a florescer de vida.
Por generosidade dos pais, sou o padrinho.No meu colo, uma vida frágil, carente de todos os cuidados. Um milagre do amor.No meu colo, a certeza e a esperança. O amanhã será construído no hoje de hoje, no hoje do depois do hoje, no hoje que vem depois do depois do hoje, e assim a cada dia.Somos o que somos pelos fluxos de amor que nos foram oferecendo e, também, pelas ausências que nos fizeram medo.
E, então, ele abre os olhos. E o pai comunica sobre os olhos abertos do Gabriel.E diz orgulhoso ter o esverdeado dos seus.Gabriel volta para a mãe que o acaricia com a felicidade que não se descreve em tratados de filosofia nem em belos romances literários.É a vida que gera a vida.E, o choro, e o primeiro amamentar.
Da mãe, o amor feito alimento. O pai, ao lado, sempre ao lado.Sorrisos comprometidos com a escolha correta que fizeram na vida, o dia em que se conheceram.
Quem conhece Gabrielle e Guilherme se encanta com a história de amor que eles vêm construindo.Com o movimento de um em direção ao outro. Com os atributos puros do silêncio, da delicadeza, da compreensão de se aconchegarem no viver.
Querem aconchegar Gabriel, cuidar de seus choros. Os choros de Gabriel irão, aos poucos, se converter em palavras férteis.Os movimentos de incômodos de hoje ou até de alegria, um dia, serão caminhos.
No mundo novo, Gabriel caminhará. E oferecerá abraços.Sim, ele haverá de abraçar pessoas e causas. E haverá de agradecer o sopro dos ventos, tão acariciador, e o sol dos amanheceres, tão anunciador de dias que se sucederão para que ele viva, para que a vida viva.
Enfrentará, também, os frios e os entardeceres, sem desiluminar. Porque o sol de dentro é mais forte. Porque o sol de dentro se constrói desde dentro da mãe até todos os dias em que o amor nos é oferecido.
Que ele possa coletar palavras e gestos aprendendo aos poucos a deixar permanecer e a deixar ir embora.O que não for bondade que não fique. Que ele seja bom. Simplesmente bom.Que ele se encante com o amor. E, encantado, estenda a mão e a alma para fazer desabrochar belezas na vida.
E que ele cultive os perfumes das plantas que ele gostar. E o canto delicado de cachoeiras e de outras formas de vida.Que ele tenha fé, já que ganhou o nome do anjo que anuncia o nascimento do amor.
O dia era sábado.Poderia ser qualquer dia, porque o dia em que começa o mundo novo de Gabriel será para sempre um dia sagrado.
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