Claudia Ferraz - superintendente do IBAMDIVULGAÇÃO
Publicado 01/04/2026 00:00
Recentemente o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), em parceria com o Ministério das Mulheres, lançou um projeto que vai além da agenda do mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher. Trata-se de uma iniciativa que toca um dos pontos mais sensíveis das desigualdades no Brasil: a autonomia econômica feminina.
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Ao propor o mapeamento e a análise de políticas públicas em municípios estratégicos como Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, o projeto reconhece que é nas cidades onde a vida acontece. São nelas que as desigualdades se manifestam com mais intensidade e onde as políticas bem desenhadas podem produzir transformações reais.
Apesar de avanços institucionais, a realidade ainda impõe barreiras persistentes às mulheres. Elas seguem mais expostas ao desemprego, à informalidade e à precarização do trabalho. Soma-se a isso a sobrecarga histórica das tarefas de cuidado, que limita o acesso a oportunidades e compromete sua independência financeira. Não se trata apenas de uma questão de renda, mas de poder de escolha e participação social.
Nesse cenário, a proposta do IBAM ganha relevância ao ir além do diagnóstico superficial. Avaliar a eficácia das políticas públicas, sua articulação com o planejamento municipal e sua aderência às demandas reais das mulheres é um passo essencial para evitar iniciativas que existam apenas no papel. Mais do que criar estruturas formais, é preciso garantir resultados concretos.
Outro ponto crucial é compreender que autonomia econômica não é uma pauta isolada. Ela se conecta diretamente a desafios como mobilidade urbana, segurança pública e acesso a serviços. Sem enfrentar essas dimensões, qualquer política corre o risco de ser limitada.
Fortalecer a autonomia econômica das mulheres não é apenas uma agenda de justiça social. É uma estratégia de desenvolvimento. Cidades mais inclusivas, com maior participação feminina na economia, tendem a ser mais dinâmicas, resilientes e equitativas.
Ao colocar esse tema no centro do debate, o IBAM reforça uma ideia fundamental: não haverá desenvolvimento sustentável sem igualdade de gênero. E essa transformação começa, necessariamente, pelo território e pela capacidade de as políticas públicas responderem, de fato, à realidade das mulheres.
Claudia Ferraz é superintendente Geral do Instituo Brasileiro de Administração Municipal - IBAM
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