FERNANDA PARETODIVULGAÇÃO
Publicado 10/04/2026 00:00
Se você acha que já entende tudo sobre autismo porque viu alguns vídeos nas redes sociais, vale repensar. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é simples nem igual para todo mundo. Cada pessoa percebe, sente e se relaciona com o mundo de um jeito próprio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada 100 pessoas está no espectro. Ou seja, o autismo está mais perto da nossa realidade do que parece.
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Mesmo com mais informação circulando, ainda existe muita confusão. O autismo não é uma “caixinha” com características iguais. É um espectro, com diferentes habilidades, desafios e formas de expressão. Reduzir tudo a rótulos ou comportamentos isolados só atrapalha.
Muitas atitudes vistas como “difíceis” são, na verdade, formas de comunicação. Excesso de estímulos, mudanças na rotina ou dificuldades sociais podem gerar reações intensas. Não é falta de limite. É uma forma de mostrar que algo não está bem. Quando a gente muda o olhar, muda também a forma de acolher.
Na escola e no trabalho, a inclusão ainda é um desafio. Muitas vezes ela existe só no papel. Falta preparo, adaptação e escuta. Isso acaba afastando pessoas autistas de oportunidades e impedindo que desenvolvam todo o seu potencial.
No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é desigual. Famílias fora dos grandes centros ou que dependem do sistema público enfrentam filas longas e poucos especialistas. Esse atraso pode impactar o desenvolvimento da criança e a rotina da família.
Outro ponto pouco falado é a sobrecarga, principalmente das mães. Muitas reorganizam toda a vida para cuidar dos filhos, quase sempre sem apoio suficiente. Isso traz impactos emocionais, sociais e financeiros.
Também é preciso falar de acessibilidade. Ambientes barulhentos, com muita luz ou estímulos em excesso podem ser muito desconfortáveis. Mesmo assim, poucos espaços estão preparados para isso. Incluir também é adaptar o ambiente.
Apesar das leis, ainda existe uma distância grande entre o que está no papel e o que acontece na prática. Muitas famílias precisam recorrer à Justiça para garantir direitos básicos.
Avançar nesse tema exige investimento, mais profissionais preparados e, principalmente, ouvir quem vive o autismo. Não dá para falar de inclusão sem considerar essas vozes.
Acolher o autismo é uma responsabilidade de todos. Mais do que incluir, é garantir que cada pessoa se sinta parte. Uma sociedade melhor não é aquela que tenta padronizar, mas a que aprende a conviver com as diferenças e reconhecer o valor que existe nelas.
Fernanda Pareto, psicóloga da Clínica Espaço Vida, especialista em avaliação neuropsicóloga
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