Publicado 17/05/2026 00:00
O cenário do consumo no Brasil atravessa uma transformação silenciosa e perigosa. O que antes era restrito a casas de apostas físicas ou cassinos clandestinos, hoje está na palma da mão, acessível a um toque no celular. A explosão das "bets" e de jogos de cassino online, como o popular "jogo do tigrinho", deixou de ser um fenômeno de entretenimento para se tornar uma crise de proteção ao consumidor. O que assistimos agora é a invasão de algoritmos agressivos que, sob a promessa de dinheiro fácil, estão drenando o orçamento de famílias fluminenses e comprometendo recursos que deveriam ir para o aluguel, a educação e a comida na mesa.
No Direito do Consumidor, tratamos essa questão sob a ótica da vulnerabilidade. A publicidade abusiva dessas plataformas, muitas vezes utilizando influenciadores digitais para simular ganhos financeiros, fere o princípio básico da transparência e do dever de informação. Mais do que isso, as empresas possuem o chamado "dever de cuidado", especialmente com o consumidor superendividado. Quando uma plataforma utiliza mecanismos psicológicos para manter o usuário apostando compulsivamente, ela ultrapassa o limite do serviço e passa a explorar a fragilidade do cidadão. É aqui que o vício em jogos, a ludopatia, entra definitivamente na pauta da defesa do consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é uma ferramenta poderosa, mas que precisa ser aplicada com rigor diante dessa nova realidade. Um consumidor que perde o controle de suas finanças devido a práticas comerciais agressivas ou indução ao erro está sendo vítima de um mercado que, muitas vezes, opera à margem da ética e da responsabilidade social. A Lei do Superendividamento já nos dá o caminho: o crédito e o consumo não podem atingir a dignidade da pessoa humana.
Reconhecendo a gravidade desse cenário, o Rio de Janeiro deu um passo inédito no país com a criação do Balcão do Consumidor. Esta iniciativa da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e do PROCON-RJ nasceu com a missão de ir além da simples reclamação técnica. O superendividamento causado pelas apostas online é um problema multidisciplinar. Por isso, oferece um acolhimento diferenciado, contando com psicólogos e assistentes sociais para atender gratuitamente as famílias que já sofrem com as consequências devastadoras do vício.
O objetivo dessa política pública é resgatar o cidadão, e está voltada à renegociação de dívidas, e suporte à manutenção do patrimônio familiar. O Estado do Rio de Janeiro se posiciona na vanguarda ao entender que a defesa do consumidor em 2026 exige um atendimento personalizado e focado no consumidor superendividado por perdas financeiras causadas pelas apostas digitais. É preciso educar para o consumo, fiscalizar a publicidade predatória e, acima de tudo, acolher quem foi capturado por essas armadilhas digitais.
A diversão não pode custar a paz de um lar. Os órgãos de defesa do consumidor seguem atuantes. O consumidor fluminense deve saber que não está sozinho nessa batalha: o Balcão do Consumidor é o porto seguro para quem precisa retomar as rédeas da própria vida financeira e garantir que o pão de cada dia não seja colocado em jogo.
Denúncias, reclamações e dúvidas podem ser enviadas pelo whatsapp + 55 (21) 96619-2498 ou pelo @gutembergpfonseca.
PublicidadeNo Direito do Consumidor, tratamos essa questão sob a ótica da vulnerabilidade. A publicidade abusiva dessas plataformas, muitas vezes utilizando influenciadores digitais para simular ganhos financeiros, fere o princípio básico da transparência e do dever de informação. Mais do que isso, as empresas possuem o chamado "dever de cuidado", especialmente com o consumidor superendividado. Quando uma plataforma utiliza mecanismos psicológicos para manter o usuário apostando compulsivamente, ela ultrapassa o limite do serviço e passa a explorar a fragilidade do cidadão. É aqui que o vício em jogos, a ludopatia, entra definitivamente na pauta da defesa do consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é uma ferramenta poderosa, mas que precisa ser aplicada com rigor diante dessa nova realidade. Um consumidor que perde o controle de suas finanças devido a práticas comerciais agressivas ou indução ao erro está sendo vítima de um mercado que, muitas vezes, opera à margem da ética e da responsabilidade social. A Lei do Superendividamento já nos dá o caminho: o crédito e o consumo não podem atingir a dignidade da pessoa humana.
Reconhecendo a gravidade desse cenário, o Rio de Janeiro deu um passo inédito no país com a criação do Balcão do Consumidor. Esta iniciativa da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e do PROCON-RJ nasceu com a missão de ir além da simples reclamação técnica. O superendividamento causado pelas apostas online é um problema multidisciplinar. Por isso, oferece um acolhimento diferenciado, contando com psicólogos e assistentes sociais para atender gratuitamente as famílias que já sofrem com as consequências devastadoras do vício.
O objetivo dessa política pública é resgatar o cidadão, e está voltada à renegociação de dívidas, e suporte à manutenção do patrimônio familiar. O Estado do Rio de Janeiro se posiciona na vanguarda ao entender que a defesa do consumidor em 2026 exige um atendimento personalizado e focado no consumidor superendividado por perdas financeiras causadas pelas apostas digitais. É preciso educar para o consumo, fiscalizar a publicidade predatória e, acima de tudo, acolher quem foi capturado por essas armadilhas digitais.
A diversão não pode custar a paz de um lar. Os órgãos de defesa do consumidor seguem atuantes. O consumidor fluminense deve saber que não está sozinho nessa batalha: o Balcão do Consumidor é o porto seguro para quem precisa retomar as rédeas da própria vida financeira e garantir que o pão de cada dia não seja colocado em jogo.
Denúncias, reclamações e dúvidas podem ser enviadas pelo whatsapp + 55 (21) 96619-2498 ou pelo @gutembergpfonseca.
Por Gutemberg Fonseca, especialista em defesa do consumidor e ex-secretário de Estado de Defesa do Consumidor
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