Maio LaranjaDivulgação
Publicado 28/05/2026 00:00
Oi, gente! Quem me acompanha sabe que a defesa dos direitos humanos e o bem-estar social sempre foram os pilares de toda a minha trajetória na gestão pública. Mas, se há um tema que mexe profundamente com o meu coração e exige de nós o máximo de firmeza, é a proteção das nossas crianças e adolescentes. Maio é o mês que se tinge de laranja para nos lembrar de uma luta urgente, dolorosa, mas absolutamente inadiável: o combate ao abuso e à exploração sexual infantojuvenil.
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Segundo dados recentes divulgados pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Disque 100 registrou mais de 32 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes apenas nos quatro primeiros meses de 2026. Trata-se de um salto alarmante de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. Diante de números tão cruéis, fica evidente que o silêncio não é uma opção e que a omissão é uma forma de conivência.
Quando assumi a prefeitura de Saquarema, um dos maiores desafios que enfrentei na área social foi romper as barreiras invisíveis que cercam esse assunto. A violência sexual infantojuvenil, muitas vezes cometida dentro do próprio ambiente familiar, é cercada de medo, tabus e desinformação. O grande obstáculo da administração pública era criar canais de confiança para que as vítimas fossem acolhidas e para que a população soubesse como e onde denunciar, transformando o receio em participação cidadã.
Para vencer essa batalha em Saquarema, entendemos que o combate à violência exige ações integradas e comprometimento público. Fortalecemos o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e o estruturamos para oferecer suporte psicossocial, pedagógico e jurídico contínuo com equipes multidisciplinares. Além disso, promovemos uma grande mobilização social com a iniciativa “Uma caminhada pela criança e o adolescente”, em parceria com a campanha nacional “Faça Bonito”. Levamos milhares de pessoas para fazer barulho, conscientizar e distribuir panfletos informativos. O nosso foco foi mostrar que a denúncia, seja pelo Disque 100 ou diretamente ao Conselho Tutelar e ao CREAS, deve ser feita mesmo diante da mera suspeita. Proteger os jovens virou uma missão coletiva baseada na escuta social ativa.
Felizmente, a conscientização e a busca por soluções inovadoras para salvaguardar a infância têm ganhado força em outras regiões do país. Um exemplo inspirador ocorre em Curitiba, no Paraná, que estruturou uma robusta rede de proteção intersetorial envolvendo as secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social. A capital paranaense implementou protocolos rígidos nas escolas municipais para treinar professores a identificarem sinais sutis de mudanças de comportamento e vestígios de abusos nos estudantes. Essa colaboração intersetorial e a capacitação contínua permitiram que o município agisse preventivamente, retirando dezenas de meninos e meninas de situações de vulnerabilidade extrema antes que as agressões se perpetuassem.
Investir na proteção das novas gerações é o verdadeiro reflexo de uma gestão comprometida com o futuro. Cidades inteligentes e justas são construídas quando unimos governança, planejamento e sensibilidade para acolher os que mais precisam de nós. O trabalho desenvolvido em Saquarema e em tantos outros municípios mostra que, quando o poder público e a sociedade caminham de mãos dadas, nós somos capazes de romper o ciclo da violência e devolver a dignidade e a infância saudável para a nossa juventude.
Você conhece ou participa de algum projeto de proteção à infância que te enche de orgulho na sua cidade? Compartilhe comigo pelas minhas redes sociais, que você encontra no meu blog (https://manoelaperes.com.br). Vou adorar conhecer outras histórias de sucesso e engajamento. Cuidar do futuro é, acima de tudo, proteger o presente das nossas crianças. Um beijo e até a próxima coluna!
Manoela Peres é ex-prefeita e ex-Secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema
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