Publicado 08/07/2026 16:58
Imagine viver em um país onde a conta cobrada pelo Estado se iguala à de nações europeias desenvolvidas, mas o retorno prático se assemelha ao de regiões em extrema vulnerabilidade social.
Esse é o "Paradoxo Fiscal" vivido diariamente pelo cidadão brasileiro.
PublicidadeEsse é o "Paradoxo Fiscal" vivido diariamente pelo cidadão brasileiro.
A discrepância histórica ganha contornos ainda mais nítidos com dados recentes. O Brasil arrecadou R$ 2,709 trilhões em impostos ao longo do ano de 2024. Isso significa que a carga tributária do país flutua em torno de 34% do Produto Interno Bruto (PIB).
O percentual nos coloca confortavelmente ao lado de membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), superando vizinhos latino-americanos e potências como os Estados Unidos.
No entanto, o dinheiro parece evaporar no caminho de volta à sociedade!
A grande questão não é o quanto se arrecada, mas a eficiência da despesa.
E, nesse quesito, o desempenho nacional é dramático.
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) publica anualmente o Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), cruzando a carga fiscal com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 30 países com maior arrecadação.
O resultado consolidado repete um roteiro incômodo: pelo 15º ano consecutivo, o Brasil ocupa a última posição (30º lugar) no ranking de retorno social.
Nossa verdade:
Carga Tributária (% PIB) Retorno de Bem-Estar (IDH) Posição no IRBES
Irlanda - 20,9% Altíssimo (0,950) 1º Lugar
Suíça - 28,5% Altíssimo Top 3
Uruguai - 21,3% Alto 9º Lugar
Argentina - 29% Médio-Alto 22º Lugar
Brasil - 34% Baixo 30º Lugar (Último)
Carga Tributária (% PIB) Retorno de Bem-Estar (IDH) Posição no IRBES
Irlanda - 20,9% Altíssimo (0,950) 1º Lugar
Suíça - 28,5% Altíssimo Top 3
Uruguai - 21,3% Alto 9º Lugar
Argentina - 29% Médio-Alto 22º Lugar
Brasil - 34% Baixo 30º Lugar (Último)
Enquanto nações menores mantêm IDH de topo gastando proporcionalmente menos, o Brasil extrai recursos em massa de sua economia ativa para manter uma engrenagem governamental de baixa resolutividade.
O povo brasileiro vive uma espécie de bitributação da existência: paga o imposto obrigatório ao Estado e, depois, precisa pagar uma taxa privada para ter acesso ao que o governo prometeu e NÃO FEZ!
O povo brasileiro vive uma espécie de bitributação da existência: paga o imposto obrigatório ao Estado e, depois, precisa pagar uma taxa privada para ter acesso ao que o governo prometeu e NÃO FEZ!
Essa ineficiência crônica gera consequências diretas e severas no cotidiano das famílias.
Dados apontam que a satisfação com o sistema público de saúde no país é de apenas 45%, contra a média de 68% da OCDE.
Quem tem condições recorre a planos privados.
O cidadão financia aparatos de segurança pública e, simultaneamente, gasta com cercas elétricas, vigilância privada e seguros automotivos.
A busca por escolas particulares consome boa parte da renda da classe média, que desconfia do futuro oferecido pela infraestrutura de ensino estatal.
Além do impacto direto no bolso, o tempo investido na burocracia agrava o cenário.
Segundo análises do Banco Mundial, empresas no Brasil gastam cerca de 2.000 horas por ano apenas gerindo e calculando impostos — um abismo comparado às menos de 200 horas exigidas pela média dos países ricos.
A implementação escalonada da Reforma Tributária busca simplificar o confuso cipoal de impostos através do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
No entanto, estimativas de alíquotas padrão indicam que a soma total (pelo CBS e IBS) deve se situar entre 26,5% e 28,5%. Caso atinja o teto projetado, o Brasil ostentará o maior IVA do planeta, superando a Hungria (27%).
A lição que os dados deixam claro é que o debate público nacional precisa urgentemente mudar de foco.
Não se trata mais apenas de ajustar as alíquotas ou mudar o nome das siglas de arrecadação, mas de cobrar responsabilidade e eficiência na gestão dos gastos.
Não se trata mais apenas de ajustar as alíquotas ou mudar o nome das siglas de arrecadação, mas de cobrar responsabilidade e eficiência na gestão dos gastos.
Enquanto o orçamento for devorado pela máquina administrativa e por desvios, o brasileiro continuará trabalhando cinco meses por ano exclusivamente para pagar serviços de primeiro mundo que só existem no papel.
Até quando vamos suportar isso???!!!
* Eduardo Pazuello é político brasileiro e general de divisão do Exército Brasileiro.
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