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Eduardo Pazuello General do Exército do Brasil e deputado federal
Publicado 09/07/2026 00:00
Imagine viver em um país onde a conta cobrada pelo Estado se iguala à de nações europeias desenvolvidas, mas o retorno prático se assemelha ao de regiões em extrema vulnerabilidade social. Esse é o "Paradoxo Fiscal" vivido pelo cidadão brasileiro.
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O Brasil arrecadou R$ 2,709 trilhões em impostos em 2024. Isso significa que a carga tributária do país flutua em torno de 34% do PIB.
O percentual nos coloca confortavelmente ao lado de membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), superando vizinhos latino-americanos e potências como os EUA. No entanto, o dinheiro parece evaporar no caminho de volta à sociedade!
A grande questão não é o quanto se arrecada, mas a eficiência da despesa. E, nesse quesito, o desempenho nacional é dramático.
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) publica anualmente o Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), cruzando a carga fiscal com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 30 países com maior arrecadação.
O resultado consolidado repete um roteiro incômodo: pelo 15º ano consecutivo, o Brasil ocupa a última posição (30º lugar) no ranking de retorno social.
A carga tributária, como percentual do PIB, é de 20,9% na Irlanda, que tem IDH altíssimo (0,950) e ocupa o 1º lugar no IRBES; de 28,5% na Suíça, que também possui IDH altíssimo e figura entre os três primeiros do IRBES; de 21,3% no Uruguai, com IDH alto e 9º lugar no IRBES; de 29% na Argentina, que tem IDH médio-alto e ocupa a 22ª posição no IRBES; e de 34% no Brasil, que apresenta IDH baixo e aparece na última colocação, a 30ª posição no IRBES.
O povo brasileiro vive uma espécie de bitributação da existência: paga o imposto obrigatório ao Estado e, depois, precisa pagar uma taxa privada para ter acesso ao que o governo prometeu e NÃO FEZ!
Essa ineficiência crônica gera consequências diretas e severas no cotidiano das famílias.
Dados apontam que a satisfação com o sistema público de saúde no país é de apenas 45%, contra a média de 68% da OCDE. Quem tem condições recorre a planos privados.
O cidadão financia aparatos de segurança pública e, simultaneamente, gasta com cercas elétricas, vigilância privada e seguros automotivos. A busca por escolas particulares consome boa parte da renda. Além do impacto direto no bolso, o tempo investido na burocracia agrava o cenário.
Segundo análises do Banco Mundial, empresas no Brasil gastam cerca de 2 mil horas por ano apenas gerindo e calculando impostos. A implementação escalonada da Reforma Tributária busca simplificar o confuso cipoal de impostos através do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
No entanto, estimativas de alíquotas padrão indicam que a soma total (pelo CBS e IBS) deve se situar entre 26,5% e 28,5%. Caso atinja o teto projetado, o Brasil ostentará o maior IVA do planeta, superando a Hungria (27%).
A lição que os dados deixam claro é que o debate público nacional precisa urgentemente mudar de foco.
Enquanto o orçamento for devorado pela máquina administrativa e por desvios, o brasileiro continuará trabalhando cinco meses por ano exclusivamente para pagar serviços de primeiro mundo que só existem no papel.
Até quando vamos suportar isso???!!!
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