Publicado 22/07/2026 12:03
Durante muito tempo, falar em estética facial masculina era quase sinônimo de exagero. Bastava surgir um rosto excessivamente preenchido nas redes sociais para muita gente concluir que todo procedimento levaria ao mesmo resultado. Esse imaginário afastou homens dos consultórios durante anos e ajudou a criar um preconceito que, aos poucos, começa a ficar para trás.
PublicidadeRecentemente, a harmonização facial feita pelo ator Luciano Szafir chamou atenção justamente pelo motivo oposto. Aos 57 anos, ele optou por um tratamento discreto, que preservou suas características, trazendo um rosto mais leve, sem o peso do cansaço dos dias corridos. Talvez essa seja a melhor tradução do que a estética facial busca hoje.
O homem que procura um tratamento estético em 2026, normalmente, não quer parecer outra pessoa. Na maioria das vezes, ele quer parecer menos cansado, mais vivo. Quer recuperar a definição do rosto, suavizar as olheiras, melhorar a qualidade da pele ou reduzir a flacidez sem perder identidade. Essa transformação de comportamento acompanha uma mudança importante na própria forma de enxergar o envelhecimento facial.
Durante muitos anos, a estética ficou excessivamente associada ao preenchimento. Criou-se a falsa impressão de que rejuvenescer significava adicionar volume; mas o envelhecimento é muito mais complexo. Os tecidos mudam de posição, a pele perde qualidade, o colágeno diminui, a sustentação da face se altera e cada pessoa envelhece de uma maneira diferente. Por isso, tratar todos os pacientes da mesma forma deixou de fazer sentido.
Antes de qualquer procedimento, é preciso entender a anatomia daquele rosto, como ele envelheceu e quais são as reais expectativas do paciente. Em muitos casos, recuperar volumes perdidos é apenas uma parte do tratamento. Em outros, nem necessário isso é. Melhorar a qualidade da pele, estimular colágeno ou reposicionar estruturas pode produzir resultados muito mais naturais do que simplesmente preencher. Esse novo momento da estética também vem acompanhado de tecnologia.
Hoje existem recursos que até poucos anos atrás não faziam parte da rotina clínica. Exames de imagem, ultrassonografia facial e ferramentas de inteligência artificial ajudam a visualizar vasos sanguíneos, músculos e estruturas profundas da face antes mesmo do procedimento começar. Não substituem a experiência do profissional, mas tornam o planejamento mais individualizado e aumentam a segurança.
Os próprios números mostram que esse mercado continua crescendo. Segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mais de 20,5 milhões de procedimentos estéticos não cirúrgicos foram realizados no mundo em 2024. A toxina botulínica segue como o tratamento mais realizado globalmente, seguida pelos procedimentos com ácido hialurônico. Esses dados mostram que a estética deixou de ser um fenômeno isolado e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas, inclusive dos homens.
O crescimento, porém, traz uma responsabilidade ainda maior. Vivemos cercados por filtros, inteligência artificial e imagens editadas que criam padrões de beleza muitas vezes impossíveis de alcançar. Quando isso acontece, existe o risco de transformar a estética em uma busca por um rosto que simplesmente não existe. E esse é um dos maiores desafios da nossa profissão.
A boa estética não deve tirar personalidade e fazer com que as pessoas fiquem iguais. Ela respeita a história que cada rosto carrega e utiliza a ciência para envelhecer melhor.
O melhor procedimento deixou de ser aquele que chama atenção e passou a ser aquele que faz alguém dizer apenas: "você está com uma aparência ótima”. Isso é suficiente.
* Dr. Fabio Barros é cirurgião-dentista (CRO RJ 31728), especialista em harmonização facial, cirurgia bucomaxilofacial, radiologia odontológica e implantodontia
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