Publicado 16/10/2026 00:00
A reta final de uma eleição presidencial é um momento decisivo para o país. Mais do que escolher um candidato, os brasileiros têm a responsabilidade de decidir os rumos da nação, definir prioridades e avaliar quais propostas oferecem condições reais de promover o desenvolvimento econômico e social. É uma escolha que ultrapassa os interesses partidários e alcança o futuro de milhões de pessoas.
PublicidadeO Brasil reúne enormes potencialidades, mas ainda convive com desafios históricos que exigem planejamento, responsabilidade e políticas públicas consistentes. Na educação, por exemplo, os resultados do Pisa 2022, avaliação internacional coordenada pela OCDE, revelaram que apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram o nível mínimo de proficiência em matemática, diante de 69% na média dos países da organização. O dado evidencia a urgência de melhorar a aprendizagem, valorizar os professores e reduzir as desigualdades educacionais.
Na saúde, é necessário ampliar o acesso aos serviços, reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias e fortalecer a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde. Na segurança pública, o desafio é combater o crime organizado, reduzir a violência, proteger as mulheres e garantir à população o direito de viver sem medo.
A economia também exige atenção permanente. Embora o desemprego tenha recuado para 5,6% em 2025, segundo o IBGE, a informalidade ainda atingiu 38,1% dos trabalhadores ocupados. Criar oportunidades de trabalho digno, elevar a produtividade, estimular o empreendedorismo, ampliar investimentos e combater a desigualdade são medidas fundamentais para que o crescimento se traduza em melhores condições de vida.
Esses indicadores demonstram que o país precisa avançar em diversas frentes. Não basta comemorar resultados positivos isolados. É necessário transformá-los em conquistas duradouras, capazes de alcançar todas as regiões e camadas da sociedade. Educação de qualidade, saúde acessível, segurança, equilíbrio fiscal, infraestrutura, inovação e responsabilidade ambiental devem integrar uma agenda permanente de desenvolvimento nacional. Entretanto, existe outra questão tão importante quanto as políticas públicas, que é a maturidade da nossa democracia.
É preocupante que a disputa política seja frequentemente marcada por insultos, desqualificação de adversários e discursos que estimulam o ódio. A polarização, quando ultrapassa os limites do debate legítimo, transforma diferenças de opinião em conflitos pessoais, enfraquece a convivência democrática e impede que a sociedade discuta, com serenidade, os problemas que realmente importam.
Ter maturidade política não significa renunciar a convicções, ignorar divergências ou deixar de cobrar os governantes. Significa compreender que adversários políticos não são inimigos e que nenhuma ideologia, partido ou liderança está acima dos interesses do país. Significa também reconhecer acertos, apontar erros e exigir resultados, independentemente de quem esteja no poder.
Essa responsabilidade não pertence apenas aos candidatos. A sociedade, de modo geral, precisa refletir sobre o conteúdo que compartilha, a forma como debate e o exemplo que oferece às novas gerações. A democracia se fortalece quando há respeito, informação, participação e disposição para ouvir opiniões diferentes.
Ter maturidade política não significa renunciar a convicções, ignorar divergências ou deixar de cobrar os governantes. Significa compreender que adversários políticos não são inimigos e que nenhuma ideologia, partido ou liderança está acima dos interesses do país. Significa também reconhecer acertos, apontar erros e exigir resultados, independentemente de quem esteja no poder.
Essa responsabilidade não pertence apenas aos candidatos. A sociedade, de modo geral, precisa refletir sobre o conteúdo que compartilha, a forma como debate e o exemplo que oferece às novas gerações. A democracia se fortalece quando há respeito, informação, participação e disposição para ouvir opiniões diferentes.
Os brasileiros, hoje divididos, precisam entender que política se faz com diálogo, negociação e compromisso com o bem comum. Governar exige capacidade de construir consensos, respeitar instituições e buscar soluções que beneficiem a coletividade e, não apenas, grupos específicos.
Na reta final das eleições, portanto, o Brasil precisa de mais do que uma escolha eleitoral. Necessita, efetivamente, reafirmar seu compromisso com o futuro. Que o resultado das urnas seja respeitado e que, encerrada a disputa, prevaleça a disposição de trabalhar pelo desenvolvimento do país.
O Brasil é maior do que qualquer partido, liderança ou divergência ideológica. Afinal, o verdadeiro vencedor de uma eleição deve ser a sociedade brasileira, com suas expectativas, necessidades e esperanças de construir um país mais justo, próspero, seguro e democrático.
Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública
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