Casa de Cultura ParatyDivulgação
Publicado 22/06/2026 16:38
Paraty– Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a cidade ganha um novo espaço dedicado à valorização de sua identidade cultural. A Casa Paraty, apresentada como a casa oficial da cultura caiçara, estreia com a proposta de destacar as histórias, saberes, expressões artísticas e modos de vida que ajudam a construir a memória e a identidade do município.
Instalada em um casarão histórico no centro da cidade, a iniciativa reúne literatura, música, oralidade, artes visuais, patrimônio cultural e produção contemporânea em uma programação gratuita voltada tanto para moradores quanto para visitantes. A proposta é criar um ambiente onde as narrativas produzidas pelos próprios artistas, mestres da cultura popular, escritores e comunidades locais possam ocupar posição de destaque durante um dos eventos culturais mais importantes do país.
A criação da Casa Paraty surge em diálogo com a trajetória da Flip, que ao longo de mais de duas décadas consolidou o município como um dos principais polos culturais do Brasil. Ao mesmo tempo, a iniciativa busca ampliar o olhar sobre a cidade, apresentando ao público a riqueza cultural produzida diariamente por seus habitantes.
Para Eric Porto, incentivador do projeto e caiçara nascido em Paraty, a expectativa é fortalecer a visibilidade da cultura local.
- A Casa Paraty vem para acrescentar uma nova camada à experiência de quem visita a cidade, aproximando o público das histórias, dos artistas, dos mestres da cultura popular e das comunidades que ajudam a construir a identidade local - afirma.
A cultura caiçara é o eixo central da proposta. Formada historicamente pela relação entre mar, serra e comunidade, ela se manifesta na pesca artesanal, nas canoas, na culinária, nas festas populares, nos mutirões e na transmissão de conhecimentos entre gerações. A Casa Paraty apresenta essa tradição como uma cultura viva, em constante transformação, dialogando com linguagens contemporâneas como rap, slam, audiovisual, poesia falada e performances artísticas.
Um dos conceitos que orientam o espaço é o Defeso Cultural, desenvolvido pelo artista, compositor e pesquisador caiçara Luís Perequê. Inspirada no período de proteção ambiental da pesca artesanal, a ideia propõe a preservação dos ciclos culturais e dos saberes tradicionais diante das transformações sociais e urbanas. “Cada vez mais estamos ganhando espaço e afirmando a identidade da cultura caiçara”, destaca Perequê.
Ao longo de cinco dias, a programação contará com debates sobre cultura e território, memória caiçara, literatura da Costa Verde, juventude, patrimônio cultural, audiovisual e meio ambiente. Também estão previstas oficinas, saraus, rodas de conversa, lançamentos literários, apresentações artísticas e atividades voltadas para crianças e estudantes.
Entre os destaques está o Concurso de Novos Versos de Ciranda Caiçara, que incentiva moradores a criarem novas composições para uma das manifestações culturais mais tradicionais da região. Outro ponto de destaque é o Palco Zé Kleber, criado em homenagem ao poeta, músico e agitador cultural José Kleber Martins Cruz, figura marcante na história cultural de Paraty.
A Casa também abriga uma exposição fotográfica sobre a resistência da comunidade caiçara de Trindade contra a especulação imobiliária, reunindo registros históricos que retratam uma das mais importantes lutas pela preservação territorial no litoral brasileiro.
Além disso, o espaço conta com biblioteca dedicada a autores caiçaras, galeria de arte popular, exposições de objetos tradicionais, instalações artísticas e ambientes de convivência cultural. A expectativa dos organizadores é que os visitantes possam conhecer uma Paraty que vai além de seus atrativos turísticos e arquitetônicos.
-Queremos que as pessoas sintam a pulsação cultural da cidade e conheçam a vida que pulsa na comunidade paratiense - resume Luís Perequê.

Ao unir memória e criação, tradição e contemporaneidade, a Casa Paraty se apresenta como um espaço de encontro e valorização da cultura local, reforçando o protagonismo dos caiçaras na construção das narrativas sobre a cidade e seu território.
Leia mais

Você pode gostar

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.

Publicidade

Últimas notícias