Prefeito Marcelo Batista colocou mais de 800 servidores comissionados fora da estrutura da administração municipalFoto: Ilustração
Publicado 02/03/2026 13:01
Quissamã - Mesmo com recorde de arrecadação em 2025 – R$ 530 milhões –, o prefeito Marcelo Batista (PP) realizou uma exoneração em massa na última sexta-feira (27/2), retirando dos cargos comissionados mais de 800 servidores municipais, praticamente todos os comissionados do município. O Diário Oficial com os nomes e cargos das centenas de servidores foi publicado na noite de sexta-feira.
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Somente no dia das exonerações o prefeito reuniu os comissionados para um pronunciamento de dez minutos, na tentativa de explicar a situação. No entanto, a tese de falta de recursos é contestada por números apresentados pela própria administração. Em 2025, por exemplo, o município registrou superávit superior a R$ 50 milhões, com 99,31% das despesas liquidadas, de acordo com apresentação da Secretaria Municipal de Fazenda na Câmara de Vereadores. Os repasses de royalties também registraram aumento de cerca de 15% em relação aos anos anteriores.
Servidores públicos concursados que recebiam gratificações também terão cortes em seus salários. Em publicações nas redes sociais, questionamentos direcionados ao prefeito Marcelo Batista colocam em dúvida a alegada crise financeira, citando, por exemplo, a arrecadação de janeiro, que superou R$ 40 milhões, além de aditivos contratuais recentes que ultrapassam R$ 1,2 milhão.
A preocupação de parte da população é que as exonerações provoquem impacto econômico na cidade, já que a Prefeitura é o maior empregador local. “A demissão em massa vai gerar uma grande crise no município, tanto no comércio quanto na oferta de serviços. Com a redução de centenas de servidores, serviços importantes serão afetados em todas as áreas das políticas públicas”, relatou um morador.
Um ponto já impactado nesta semana foi a recarga do vale-alimentação, no valor de R$ 700, que não foi efetuada na quinta-feira (26) para cerca de 500 servidores. Comerciantes do setor alimentício afirmam que houve queda nas vendas nos últimos dias.
Histórico de exonerações
Eleito em 2024, Marcelo Batista já havia realizado cortes em seu primeiro ano de mandato. O prefeito extinguiu o programa Jovem Aprendiz, dispensando mais de 150 trabalhadores entre 18 e 24 anos. Também houve corte de profissionais terceirizados, como cerca de 70 porteiros de prédios públicos.
Segundo relatos, alguns funcionários dispensados foram orientados a aguardar em casa, com a possibilidade de serem chamados novamente nos próximos meses.
Nas redes sociais, moradores questionam a medida. A moradora Nagila Oliveira dos Santos publicou:
“Gente, parei para analisar o Diário Oficial de ontem e a conta simplesmente não fecha. Vimos uma onda de exonerações em setores vitais, com cerca de 80 profissionais desligados apenas na Secretaria de Assistência Social (SEMAS). Mas quero que vocês reflitam comigo sobre um ponto muito grave: o exemplo dos nossos CRAS. Por lei, o CRAS não pode ficar sem coordenação. É lá que se garante o Cadastro Único e o acesso ao prato de comida de quem mais precisa. Minha pergunta é simples: se o cargo é obrigatório e o serviço não pode parar, por que exonerar agora e pagar todas as rescisões com o nosso dinheiro para depois contratar outra pessoa para fazer a mesma coisa? Isso não é ajuste fiscal. É descontinuidade de serviço público.”
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