Ex-prefeito de Quissamã é exonerado em limpa do Governo do Estado e foto exclusiva levanta suspeitas sobre rotina de trabalhoFoto: Ilustração
Publicado 21/05/2026 06:34
Quissamã - Armando Cunha Carneiro da Silva, ex-prefeito de Quissamã e figura conhecida da política da região, apareceu entre os nomes exonerados pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro durante a ampla auditoria administrativa que vem promovendo uma verdadeira varredura em cargos comissionados e funções de confiança. 
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Os dados disponíveis no Portal da Transparência mostram que o ex-prefeito recebia remuneração expressiva para exercer a função. Segundo os documentos oficiais, o cargo garantia total de vantagens no valor de R$ 13 mil mensais. No caso de Armando Carneiro, os registros oficiais apontam que ele ocupava o cargo de Assistente II, lotado na Superintendência de Articulação Municipal, vinculada à Secretaria de Estado de Governo. O vínculo era comissionado, com carga horária de 40 horas semanais.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado dentro do pacote de cortes conduzido pelo governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, que já soma 2.509 desligamentos em diferentes órgãos estaduais. A medida atinge secretarias, autarquias e empresas públicas, com foco principal em cargos de assessoramento e funções consideradas estratégicas.

A situação ganhou ainda mais repercussão após a publicidade de uma imagem em que Armando Carneiro aparece, supostamente, em momento de lazer durante período em que deveria estar exercendo atividades ligadas ao cargo público estadual. A fotografia passou a circular nos bastidores políticos e alimentou questionamentos sobre a efetiva atuação do ex-prefeito dentro da estrutura administrativa do Estado.

Apesar das críticas e suspeitas levantadas nos bastidores políticos e nas redes sociais, não existe, até o momento, decisão judicial ou investigação oficial concluída que classifique Armando como funcionário fantasma. Ainda assim, a exoneração reforçou cobranças por mais transparência no uso de cargos públicos e na ocupação de funções comissionadas no Governo do Estado.

Nos corredores políticos de Quissamã, o assunto dominou debates ao longo do dia. Moradores criticaram os altos salários pagos a cargos de indicação política enquanto áreas essenciais enfrentam dificuldades. A gestão interina de Ricardo Couto afirma que o pente-fino busca reorganizar a estrutura estadual, enxugar despesas e revisar nomeações consideradas excessivas ou incompatíveis com critérios técnicos.

A equipe de reportagem do Jornal O DIA tenta contato com Armando Cunha Carneiro da Silva e com a Secretaria de Estado de Governo para esclarecimentos sobre as funções exercidas pelo ex-prefeito e sobre os questionamentos levantados após a exoneração. Até a publicação desta matéria, nenhum retorno havia sido encaminhado.
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